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Simplicidade e vida

Simplicidade e vida

Julia Roberts faz a viagem de muitas pessoas. Encarna o personagem da mulher em busca de si mesma e do significado de sua vida. Depois do divórcio doloroso, tentando encontrar um caminho de equilíbrio pessoal, vive nova tentativa de relação afetiva e, se depara com os sabores na Itália gastronômica e humana; tenta alcançar a iluminação em certa espiritualidade indiana; e acaba em Bali, iniciando-se com um xamã conhecido em viagem anterior.

Esta geografia da tentativa pessoal de encontrar respostas para a vida está em “Comer, Rezar e Amar”, que leva às telas o Best seller homônimo de Elizabeth Gilbert, vivida na tela pela linda e sorridente Julia, que, ao final da trama, encontra o falso brasileiro Felipe, na pele do espanhol Javier Barden. Receita de sucesso certo em bilheterias pós-modernas, o filme promete seguir a trilha de vendas do livro. Nas páginas escritas, a historia da escritora emociona e encanta. Na tela, faz viajar com a protagonista, em situações repletas de contemporaneidade. Basta perceber a onda de amantes da gastronomia e de buscas espirituais ou pseudoespirituais que povoam o universo das pessoas neste início de século. Pode até incomodar alguns chavões usados nas narrativas dos personagens do filme, mas a condução do roteiro cumpre o papel de envolver o espectador nos dramas de Liz. Não aprofunda, e isso torna raso o discurso. Não se pode exigir demais quando a profundidade é ausente.

Não será um clássico, pois não tem consistência para tanto. A temática é atual, mas já se encontra em farta literatura que se multiplica diariamente. De fácil digestão, terá também um destino de fácil esquecimento. Mas, como toda busca pessoal, tem suas verdades implícitas. Muito se reconhecerão na tela e, talvez até, alguns se surpreendam com o espelho feito tela de cinema. Conferível!


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