Um musical, uma comédia de humor negro, um romance passado num cemitério? São tantas as classificações de “Sinfonia da Necrópole”, dirigido pela diretora paulista Juliana Rojas. A trama tem como principal personagem o jovem Deodato (Eduardo Gomes), que veio do interior trabalhar como ajudante de coveiro num cemitério paulistano indicado pelo tio Jaca (Paulo Jordão). O problema é que Deodato tem medo dos mortos e vive desmaiando pelos cantos.
O jovem só vê as coisas melhorarem um pouco quando chega ao local Jaqueline (Luciana Paes), designada para realizar um levantamento sobre os túmulos abandonados e preparar a construção de um edifício para ampliar o número de covas no cemitério. Deodato cai de amores pela garota, que se mostra extremamente profissional e obcecada pelo trabalho, por isso fria, não querendo demonstrar seus sentimentos. Ela, por exemplo, não pensa duas vezes quando tem de tirar os corpos de seus jazigos e colocá-los em sacos plásticos. Afinal, o espaço ali é essencial.
“Sinfonia da Necrópole” tem vários números musicais, onde todos os personagens cantam e dançam, inclusive os mortos, em uma cena que lembra muito o clip clássico de Thriller, de Michael Jackson. Os momentos são de uma naturalidade impar, sendo as músicas compostas pela diretora Juliana Rojas e por Marcos Dutra, de certa forma, conduzem o que se passa na tela e não se apresentam de forma gratuita.
O filme ainda traz personagens coadjuvantes muito engraçados, como o administrador do cemitério, o padre, sempre paciente ao ouvir as confissões dos fiéis e o hipocondríaco, que não quer esperar a hora de morrer e já separou seu caixão e seu cantinho no cemitério. Tudo mostrado com uma graça impar.
