O longa-metragem “Sirāt”, dirigido por Oliver Laxe (Espanha), promove uma experiência sensorial ao espectador, tanto na fotografia e na direção de arte, quanto no som e na trilha sonora. As imagens iniciais causam impacto pela sua contradição. Em meio a montanhas rochosas de um deserto no Marrocos, caixas de som enormes são montadas para uma rave. A música eletrônica leva os participantes que dançam a uma catarse e um transe coletivo.
Em meio a este espaço árido, um pai (Sergi López) e seu filho pré-adolescente (Bruno Núñez) chegam. Mostram fotografias de uma jovem chamada Mar, que é filha e irmã da dupla. Ela desapareceu meses antes em uma dessas festas, mas ninguém a reconhece. O contexto político não é detalhado, mas se vê tropas militares que circulam pela região. O pai resolve acompanhar um pequeno grupo que sai em busca de um nova rave. Este grupo tem caminhões preparados para o ambiente, enquanto o pai tem uma van menos resistente. Junto a este nômades modernos do deserto, o grupo vai enfrentar diversos desafios e sobre os quais é melhor não escrever para não dar spoiler.
Os mantimentos vão acabando e a rave se mostra cada vez mais difícil de encontrar. Fica a dúvida se será o fim ou um recomeço para os personagens.
O filme só faz sentido ao se saber do significado da palavra Sirāt, que é apresentada no início do longa: a palavra árabe se refere à ponte, mais fina que um fio de cabelo, que no Islã separa o inferno do paraíso. A produção acompanha esta travessia de perdas, de provações, de aventura, de esperança ou da falta dela, da necessidade de fugir de realidades bélicas e ainda assim ser alcançado por elas. É um roteiro que aposta na desconstrução e foge totalmente do convencional. Pode-se gostar ou não do longa, mas é impossível não reconhecer sua originalidade. Há cenas muito impactantes que certamente farão esta travessia não ser esquecida tão cedo pela plateia.
