Sabe aquele tipo de filme que nasceu para a polêmica? Bem, o brasileiro “O Vendedor de Sonhos” é um deles. Dirigido pelo consagrado e conhecido diretor Jayme Monjardim ( o homem que deslumbrou o Brasil na TV em 1990 com uma ousada direção da novela "Pantanal", e depois fez vários filmes para cinema), "O Vendedor de Sonhos" é adaptação do livro homônimo escrito por Augusto Cury. Aquele mesmo que já escreveu sobre pais maravilhosos, professores fascinantes e mentes brilhantes. Sucesso com milhões de exemplares espalhados pelo mundo. Criticado também. Como a maioria daqueles que fazem sucesso em sua área de atuação.Na telona do filme de Monjardim, a história de Júlio César, um renomado psicólogo (vivido pelo nosso "Tom Hanks tupiniquim", Dan Stulbach) dá o pontapé inicial para a trama. Mas o foco logo se desloca de Stulbach para a atuação marcante do uruguaio Cesar Troncoso. Visto em obras como "O Banheiro do Papa" e "Las Toninas se Van Al Este" (para dizer somente duas), Troncoso mostra um talento até então pouco reconhecido. Ele já fez teatro na America Latina e novelas no Brasil. Mas é agora que mostra, com seu personagem místico, misterioso, mas muito real, sua capacidade de dar vida e força gestual, expressiva e discurssiva para a narrativa que pode beirar o que alguns críticos desprezam ao definir como "auto ajuda". A personagem de Troncoso é o elo entre passado e futuro para o psicólogo suicida, ao mesmo tempo em que se revela como metáfora de uma vida transformada pela dor.
A trama tem roteiro de L. G. Bayão. Quem é ele? é o homem por trás de "Irmã Dulce" , de Vicente Amorim; "Ponte Aérea" , de Julia Rezende e "O Segredo dos Diamantes", de Helvécio Ratton (Melhor Filme Juri Popular no Festival de Gramado). Com estas referências também é possível entender algumas das escolhas narrativas e estéticas feitas ao lado de Monjardim, que também trabalhou nas adaptações de roteiro. Tudo para fazer compor este momento de reflexão que, alguns, podem inclusive transformar em lágrimas. Também integram o elenco Thiago Mendonça, Kaik Pereira e Leonardo Medeiros. Se for assistir, vá desarmado de preconceitos.
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