
Não é simples analisar "A Árvore da Vida", de Terrence Malick. Criticar, sem muita profundidade é mais fácil. Mas éperda de vida fazê-lo tão superficialmente. E perda de tempo ler o que se "acha" do tema tratado de forma tão visceral por Malick. A experiência estético sensorial é notória. Mas só se a gente se deixar penetrar por ela. No universo do individualismo de alguns niilismos e muita falta de crença não é difícil incomodar-se com a proposta do diretor. A busca por um único tema, uma trama, uma narrativa e uma história, nos afasta de tentar abarcar o "todo", tanto quanto pudermos. O envolvimento do público com o que surge na tela é experiência pessoal. Começar tratando da vida de Jó, citado no início de um emaranhado de ideias força, emolduradas em conceitos amplos e profundos, como o dos homenes que podem escolher entre a Natureza e a Graça, é um desafio que pode ou não ser aceito por quem está diante da obra. A história de uma família nos anos 50, cuja vida parece preparar para a morte, serve de fio condutor para a vivência profunda. Mas não se esgota entre as paredes da trama familiar e social. Não dá pra ir no cinema pra ver o Brad Pitt. Ele não está lá. Ou melhor, com uma atuação que mostra como ele sabe atuar, não atrapalha os reais protagonistas da viagem fílmica de Malick: você, eu, a vida, o universo, o transcente ... a esperança e a falta dela.
Vale a experiência estética, a reflexão filosófica, a narrativa fluente e profunda... beleza e vida.
Recomendo... muito...
Por Marcos Santuario
