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Suspense light

pressagiosQuando Anthony Hopkins se vira na primeira cena em que aparece em "Presságios de um Crime", do brasileiro Afonso Poyart, percebe-se que o clima de Hannibal Lecter vai prevalecer ao redor do personagem. Apesar de Hopkins aqui atuar como médico-vidente, e não como impulsionador de assassinatos, seus conhecidos trejeitos acabas tomando tons da personagem. Certa vez, o diretor James Ivory me confessou a intensidade que se vive em dirigir Sir. Hopkins. Não deve ter sido fácil para Poyart, que estreou em longas, em 2012, com “2 Coelhos”. “Presságios de um Crime” é um longa policial, com pitadas de sobrenatural, que derrapa em um roteiro difícil de acreditar. A trama linear mostra uma equipe de policiais tratando de desvendar um difícil caso de assassinatos em série. Na cabeça da investigação,  o agente do FBI Joe Merriweather (vivido por Jeffrey Dean Morgan), que recorre ao Dr. John Clancy (Hopkins), um amigo que virou ermitão depois da morte da filha. O trio dramático se completa com uma feroz descrença inicial de sua parceira, a psiquiatra Katherine Cowles (a bela Abbie Cornish). O filme, visto assim, pode até lembrar o intenso “Seven: Os Sete Crimes Capitais” (1995), mas perde de longe para o vigor e a visceralidade da dupla Morgan Freeman e Brad Pitt.

No finalzinho da trama é que entre em cena, no filme de Poyart, a figura do vilão, vivido por Collin Farrel, levando a produção para um desfecho anunciado, em meio às temporalidades variáveis. Ao longo do filme se percebe que os elementos tecnológicos e ao estilo videogame do anterior "2 Coelhos"  desapareceram da prancheta do diretor. Fica o estilo videoclipe, a rapidez das imagens e a variação da edição.

Vale muito o encontro de Hopkins e Farrel, debatendo vida e morte frente a um "simples mortal", cujas possibilidades de futuro parecem já ter sido visualizadas pelos dois personagens.

Para ver uma vez.

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