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Um Marx humanizado


Alguns filmes são capazes de gerar empatia entre público e personagens. Em "O Jovem Karl Marx", de Raoul Peck (o mesmo que tratou do genocídio em Ruanda, na África, no filme "Abril Sangrento", de 2005), isso pode acontecer facilmente, pela opção da obra em humanizar o mito de Karl Marx. Lógico que não seria possível condensar toda a vida, ideias, conflitos e passagens de dias, do autor do "Manifesto Comunista". Por isso, a decisão foi sábia: mostrar um Marx jovem, astuto, insatisfeito e lutador. O vigor da juventude, no auge de seus 26 anos, coloca a personagem, vivida com intensidade ideal por August Diehl, na compreensão imediata de um público que já passou ou está passando pela mesma idade.


O encontro com outro jovem inquieto, Friedrich Engels (Stefan Konarske), filho descontente de um industrial da época, e que se tornaria grande amigo de Karl, leva a trama para um caminho que reproduz certa leveza da idade, que não foge da aventura e do confronto, valendo-se da energia vital do momento. Marx aparece se exilando com a esposa, Jenny (interpretada por Vicky Krieps), na Paris de 1844. Lá seu universo intelectual e ideológico se amplia, e se fortalece a amizade com o colega e também mecenas, Engels. O filme tem a virtude de ser uma passagem importante pela história do pensamento contemporâneo, apresentando alguns de seus principais expoentes daquelas latitudes. Os anarquistas são introduzidos, junto à suas ideias e conflitos. Na tele, surge a inspiração e construção do "Manifesto Comunista", em 1848.


A humanização dos mitos históricos propicia um interesse ainda maior por investigar comportamentos, contextos e posturas daqueles indivíduos, naquela época. O que pode ajudar a entender os pensamentos e a escrita que remetem a vivências pessoais e sociais dos nomes envolvidos.  Destaque para a excelente reconstrução de época, que transporta o espectador ao momento em que a História da um salto importante no mundo das ideias e das revoluções.

Boa obra para abrir novos horizontes de percepção e análise. Mais do que o resultado cinematográfico, o filme também ganha ao ser objeto de observação e estudo, do mito Karl Marx e de sua obra intelectual e sociopolítica,

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