Grande vencedor do Festival de Veneza de 2011, "Fausto", dirigido pelo russo Alexander Sokurov, pode ser saboreado nas telas de cinema. Prepare-se para um impacto visual e dramático inicial. Depois de Veneza ele foi aplaudido de pé em sessões abertas ao público na edição do ano passado do Tiff, em Toronto. Engrossei este coro de aplausos no Scotiabank 1. Lá, como em Veneza, o filme, baseado na famosa peça de Goethe, conquistou um público exigente e permaneceu vivo nas rodas de conversas depois das exibições.
Em cena, Fausto surge como um velho alquimista desiludido com o conhecimento e com as pessoas que o cercam. Ele está em busca de mais conhecimento e poder. Quer estar acima de todos, do bem e do mal, e vai fazer de tudo para chegar lá. Há um momento intenso em que começa a pensar sobre sua própria finitude. Ele então evoca Mefistófeles, que atende seus pedidos, em troca de sua alma. Tudo parecia perfeito, até este se apaixonar por uma jovem italiana. O ambiente da trama surge em clima envolvente e sufocante. Constrói-se um universo em que o personagem não mede esforços para saciar sua sede de saber - e de poder. Sokurov, com este filme, completa sua tetralogia de figuras do poder: "Moloch" (Hitler), "Taurus" (Lenin) e "O Sol" (Hirohito) foram os anteriores. O filme do diretor russo pode ser visto sob um viés político, na contemporaneidade das disputas eleitorais pelo mundo. Sokurov enfatizou mais de uma vez durante sua permanência em Veneza, e isso também repercutiu em Toronto, a vinculação de Fausto com os políticos atuais. A ânsia de poder os leva a firmar pactos pouco recomendáveis. Isso disse o diretor, que fez um filme diante do qual a indiferença não é uma possibilidade.
Por Marcos Santuario
