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Venda confusa

Um argumento interessantíssimo. Criar um passado e adequar aos desejos dos seus compradores. A premissa que está em "O Vendedor de Passados", de Lula Buarque de Holanda, coloca Lázaro Ramos e Aline Moraes cara a cara, em uma situação em que ele usa seu talento em imaginar histórias que preencham passados vazios ou nebulosos, ao gosto do cliente. Já ela, misteriosa e sedutora, surge em busca de um passado pra chamar de seu. Não é tudo isso. E também não é somente isso. Um bom trabalho de atuação, sobretudo de Lázaro, não é suficiente para construir uma trama que poderia ser mais envolvente, instigante e sedutora. O personagem de Lázaro, Vicente, carece de mais empatia, e o mistério de Aline não se sustenta o necessário para envolver e encantar. Esta trama é uma adaptação do livro de mesmo nome, escrito pelo angolano José Eduardo Agualusa. Não é difícil lembrar de outras produções que flertaram com uma temática similar. A própria roteirista declarou, que se inspirou no longa ‘Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças’ (Eternal Sunshine of the Spotless Mind), para desenvolver o roteiro. Ainda na trama pode-se ver Odilon Wagner (que interpreta Jairo, padrinho e confidente de Vicente), e Anderson Müller vive um perturbado cliente, que, após uma vida de obesidade, faz uma cirurgia de redução de estômago e busca encontrar uma noiva. Quarto longa-metragem do diretor Lula Buarque de Hollanda (estreou em 1999 com o documentário ‘Pierre Fatumbi Verger: Mensageiro Entre Dois Mundos’,  ‘Casseta & Planeta – A Taça do Mundo’  é Nossa", dirigiu episódios da série ‘Mandrake’ e fez  ‘O Mistério do Samba’), "O Vendedor de Passados" está acima da média da produção contemporânea brasileira, integrando o grupo dos "fora das comédias vazias". Apesar de suas fragilidades, vale como diversão sem muita pretensão.  Para quem quer mais envolvimento, sugiro também "Violação de Privacidade", de Omar Naim, com Robin Williams, Jim Caviazel e Mira Sorvino. Na trama, pessoas possuem em seu cérebro um implante de memória, comprado por seus pais antes mesmo de nascerem, que registra todos os fatos ocorridos em sua vida. Após sua morte este implante é retirado e, com o material nele existente, é editado um filme sobre a vida da pessoa. Este filme é apresentado em cerimônia póstuma chamada Rememória.  Robin Williams vive Alan Hakman, melhor montador de filmes para a Rememória em atividade, usando seu talento para preparar filmes que dêem a absolvição ao morto em relação aos erros por ele cometidos em vida. Delicioso e que também trata de passados, criações, edições e construções de vida.

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