Em “Reus”, parte da contemporaneidade da vida urbana na capital uruguaia é impressa na tela com ritmo e emoção. O filme é uma produção da brasileira Panda Filmes, em coprodução com a uruguaia Sueko Films e conta com direção realizada a seis mãos, por Eduardo Piñero, Alejandro Pi e Pablo Fernandéz.A ficção aborda o tema da insegurança e da luta pelo poder, entre dois grupos, pelo controle de uma determinada área. A narrativa acontece no bairro Reus, onde está localizado o maior centro atacadista de Montevidéu, e os moradores, em sua maioria, são imigrantes judeus. Local também da primeira sinagoga do Uruguai. Neste contexto é que se desenvolve um relacionamento entre as grandes lojas e alguns habitantes marginalizados no bairro. A luta pela sobrevivência individual e familiar transpassa a trama e surge a tensão, a partir de duas mortes no local. O embate pelo poder, entre comerciantes e a família de “Tano”, morador que sai da cadeia e volta ao bairro, delineia momentos importantes da produção. No meio disso, e em sintonia com as realidades contemporâneas, aparece, ainda, uma nova droga nas ruas, e os antigos códigos de conduta e de convivência mostram-se em transformação. Um saque aos depósitos de “Dom Elías”, o comerciante do centro da trama, cria ainda mais tensão nas relações. Ao ver seu negócio vazio, Elías reconhece o estilo do golpe, e sabe que se trata do antigo jeito de Tano, ao realizar roubos. De forma constante, Elías tenta convencer o restante dos comerciantes a se juntarem para uma vingança, pois sua própria liderança na comunidade está em jogo. É neste momento que entra em cena um homem sinistro, “El Coronel”, ligado ao tempo da ditadura militar, contratado para “dar um jeito na situação”. Enquanto isso, o bairro vive o clima de uma festa familiar que se aproxima, na qual os moradores tentam se reconciliar entre si, com a organização de “La Mamma”. Estão aí os elementos que criam a tensão e constroem a trama deste novo exemplar da competente produção de cinema do Uruguai.
Marcos Santuario
