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Vida duramente preciosa

Vida duramente preciosa

Se você tem estômago fraco ou anda meio depressivo pode ter um impacto ainda maior ao ver "Preciosa", filme de Lee Daniels que está concorrendo a seis Oscars. Do início ao fim, a história da menina Claireece Preciosa Jones (Gabourey Sidibe), uma jovem obesa, negra e pobre que sofre privações inimagináveis, envolve você em um emaranhado de sentimentos, emoções, em meio a abusos pessoais, humanos e sociais. As imagens da garota abusada pela mãe, violentada por seu pai, irritada, analfabeta e carente são fortes e a estética escolhida pelo diretor reforça a dor da empatia com a personagem.

A luta de Claireece para desvencilhar-se das amarras que acompanham sua vida se dá num crescendo dramático, roteirizado com realismo que convence. Escrito por Ramona Lofton (conhecida como Sapphire e que, ao estilo Hitch cock, surge na tela, como a mulher da creche), o livro que dá origem ao filme não perde força na tela. Daniels escolheu bem os pontos dramáticos para "costurar" a trama em fortes imagens, acompanhadas do texto visceral e realista. Sobre atuações, além de Gabourey, Mo’Nique, Lenny Kravitz e Mariah Carey , o restante do elenco é de apoio, sem atrapalhar a trama, que é a verdadeira personagem da produção. Repleto de força narrativa, o texto deixa importantes brechas para reflexão. Uma delas, sai da imaginação de Claireece: "Às vezes eu desejo que não estivesse viva. Mas eu não sei como morrer. Não há nenhum botão para desligar. Não importa o quão ruim eu me sinta, meu coração não para de bater e meus olhos se abrem pela manhã". Ao se inscrever em uma escola, ganha apoio e passa a vislumbrar um pouco de esperança".

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