O filme "Que Horas Ela Volta" já foi aplaudido pela crítica e pelo público presente em sua primeira exibição no Brasil, no último dia 7, na abertura do 43º Festival de Cinema de Gramado. Dirigido pela paulista Ana Muylaert (“É Proibido Fumar”, “Durval Discos”), o filme recebeu, no Festival de Sundance 2015, o Prêmio Especial do Júri na categoria de interpretação de cinema mundial, reverenciando o talento das atuações de Regina Casé e da jovem Camila Márdila. Também levou o prêmio da Confederação Internacional dos Cinemas de Arte e Ensaio (Cicae), na seção Panorama, do Festival de Berlim deste ano.Mas não são os prêmios os principais méritos o filme. A trama de “Que Horas Ela Volta” é cativante e absolutamente contemporânea. Nela, a pernambucana Val (Regina Casé) está em São Paulo, onde foi morar, para, como muitos brasileiros em todos os tempos, tentar oferecer melhores condições de vida para sua filha Jéssica, que ficou no interior de Pernambuco, sendo criada pela família da mãe. Distante, a progenitora transfere carinho e atenção para o jovem Fabinho (vivido por Michel Joelsas), filho da família em que ela trabalha como empregada doméstica. Naturalmente, ela se torna a carinhosa e atenta babá do garoto e lhe oferece os mimos e a atenção que gostaria de dar à sua filha de sangue. Val mora no trabalho e vive, sem sobressaltos, “como se fosse da família”, até que, depois de 13 anos, se encontra com a filha (Camila Márdila). Neste trajeto dramático, maternidade e questões sociais se entrelaçam, revelando um emaranhado de ações e sentimentos humanos capazes de provocar empatia e emoções frente à tela, para quem se deixar envolver pela proposta dramática. Presente, no Festival de Gramado 2015, a diretora explicou suas motivações e deixou claro seu olhar. Que está na tela.
O filme de Anna Muylaert, que já foi vendido para mais de 20 países de Ásia, Europa, América e Oceania, produz um diálogo cinematográfico com obras como “O Som ao Redor”, de Kleber Mendonça, e “Casa Grande”, de Fellipe Barbosa, no que se refere ao tema da ascensão social e o trabalho doméstico no Brasil. E tem grande potencial para revelar ao mundo algo sobre a produção cinematográfica contemporânea brasileira. Também já circula como um dos favoritos para representar o Brasil na tentativa de um Oscar de filme em língua estrangeira, no início do ano que vem, nos EUA.
