Cine CP

Vigor cênico

diplomacy.photo06O trabalho de direção do alemão Volker Schlöndorff está perfeito em “Diplomacia” (Diplomatie), puro teatro filmado, mas sem aquela rigidez costumeira em filmes que seguem este estilo. A obra é baseada em peça homônima escrita por Cyriil Gely, que ficou dois anos em Paris, utilizando os mesmos atores que agora estão na telona, Niels Arestrup e André Dussolier, e se passa em agosto de 1944, em Paris.



A Cidade Luz está em suas últimas horas sob o domínio nazista, depois de quatro anos de ocupação. Derrotados e vendo os aliados às portas da capital francesa, os alemães, comandados pelo general Dietrich Von Choltitz (Niels Arestrup), recebem a ordem de Hitler: colocar a cidade abaixo, destruindo tudo, pontes, prédios históricos, monumentos e fazendo o rio Sena avançar sob as ruas, afogando boa parte da população. Baseado no hotel Le Meurice, com vista para a Torre Eiffel, Choltitz recebe a inesperada visita do diplomata sueco Raul Nordling (André Dussolier). E este tentará convencer Choltitz a não seguir as ordens do ditador nazista. Os dois passam horas discutindo sobre os horrores da guerra, ética, moral e a beleza de Paris.



O interessante do filme é manter a atenção do público, pois afinal já sabemos o que aconteceu. Paris não seria destruída e está lá até hoje. Arestrup e Dussolier estão excelentes em seus papéis, realizando um excepcional duelo. O filme tem 90% de suas cenas dentro do escritório do general, mas em nenhum momento se mostra desinteressante. Pelo contrário, é repleto de vigor, por causa das atuações e dos diálogos inteligentes e afiados.

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