Correio Feminino

Happy birthday, Marilyn

“Era uma vez uma menininha pobre nascida às nove e meia da manhã do dia 1º de junho de 1926 na enfermaria do Hospital Geral de Los Angeles. Um bonito bebê, explodindo de saúde, de pele muito branca, com alguns cachinhos castanho-claros e olhos incrivelmente azuis. Do lado materno, um bisavô suicida, um avô que morreu louco, uma avó ciclotímica, alcoólatra e maníaco-depressiva. A mãe, por sua vez, era instável e sujeita a diferentes psicoses. Quanto à ascendência paterna, tudo é possível. A menininha não tem pai”.



Este é um trecho do livro “Marilyn Monroe”, de autoria de Anne Plantagenet, que faz parte da série de publicações da editora L&PM Pocket. Retirei ele da minha estante hoje para dedicar este post a uma das mulheres mais lindas, ousadas e polêmicas que já pisou nesse mundo.

A atriz não chamou a atenção apenas por incitar a sexualidade em um período puritano, de opressão aos desejos da mulher, como eram os anos 40 e 50. Tampouco pelo suposto envolvimento amoroso com o presidente dos Estados Unidos. Mas por representar um símbolo na mudança do comportamento feminino, cheio de contradições, inseguranças, ânsias, sonhos, falhas e ainda assim, simples e verdadeiro.

Nasceu Norma Jeane e adotou o nome Marilyn Monroe para a vida artística. À primeira vista, ela era um corpo. Um belo corpo. Não do tipo magrelo como a gente luta insistentemente para manter, fechando a boca para as delícias que a culinária oferece e passando horas na academia. Ela representava a mulher com curvas bem desenhadas e até uma eventual gordurinha na barriga de vez em quando, por que não?

Era também dona de um sorriso maravilhoso, envolto por lábios carnudos – quando não pintados de batom vermelho. Quando Marilyn sorria esbanjava malícia e feminilidade. No set de filmagem, era sedutora e provocante. Na intimidade, era insegura, delicada, hipersensível, ansiosa por felicidade, mas também exigente demais e sonhadora a ponto de desconhecer os limites entre as personagens que interpretava e a vida real.

A infância foi um período difícil. Quando criança, Marilyn passou anos em orfanatos e em casas de famílias, sob cuidados de estranhos. Quando adolescente queria ser uma estrela. E conseguiu, depois de posar para calendários e tornar-se a primeira capa da revista Playboy, em 1953. O que foi um (grande) passo para que se tornasse uma atriz de Hollywood. Quando mulher queria um amor e queria ser mãe. Mas as tentativas foram insuficientes.

Após três casamentos no histórico, ela ainda caiu de amores pelo presidente norte-americano John Kennedy. Para ele, era apenas um affair. Para ela, a possibilidade de que ele fosse o the one. Ela insistiu, desesperada, só faltava se oferecer em uma bandeja. Ele fugiu. Até que, em maio de 1962, o mundo inteiro desconfiou do caso quando Marilyn resolveu cantar a sua paixão de forma lasciva em um “Happy Birthday, Mr. Presidente”.

Depois de atuar em mais de trinta filmes, de casamentos infelizes, divórcios sucessivos, abortos e tentativas de suicídio, a estrela estava devastada. Morreu muito jovem, tinha apenas 36 anos. Estava sozinha em um quarto de hotel. A hipótese de que tenha sido assassinada por sua ligação com o poder sempre rondou sua morte. Oficialmente, ela se suicidou. Hoje, dia 1º de junho, faria 86 anos se estivesse viva. No próximo dia 5 agosto completa 50 anos que ela morreu, o que lhe rende homenagens no mundo inteiro.

Apesar da carreira cinematográfica relativamente extensa, ela será lembrada, para sempre, como a bela loira de lábios provocantes, uma mulher ousada, de comportamento extremo, corajosa, sonhadora, não necessariamente feliz, mas que buscou e lutou, de alguma forma, pela felicidade. Uma mulher de verdade.



Happy birthday, Marilyn. Happy birthday, Norma Jeane.