Diálogos

Antônio Carlos Zago: “Juventude deu prova de caráter e personalidade”

Foto: Arthur Dallegrave / Juventude / Divulgação / CP Foto: Arthur Dallegrave / Juventude / Divulgação / CP


O técnico do Juventude, Antônio Carlos Zago, conversou com o Correio do Povo sobre o bom momento do time da Serra, que bateu o Grêmio por 2 a 0 no jogo de ida da semifinal do Gauchão nessa quinta-feira. Em um bate-papo por telefone, o treinador elogiou o caráter e a personalidade do time e prometeu a mesma postura para o jogo da volta, no domingo, às 16h, na Arena. Ex-zagueiro, Antônio Carlos ainda fez elogios a Pedro Geromel, e disse que o jogador gremista deveria ser titular da Seleção Brasileira.

Correio do Povo: Surpreendeu a forma como o Juventude foi superior ao Grêmio na partida?

Antônio Carlos Zago: A gente trabalha todo dia para melhorar. Nós tivemos mais de uma semana para trabalhar. Foram nove dias desde o jogo contra o Tocantinópolis (pela Copa do Brasil). Aproveitamos para acertar algumas coisas que tínhamos errado nos últimos jogos da fase classificatória do Gauchão. A equipe fez uma grande apresentação, deu prova de caráter e personalidade.

CP: Você falou em tempo para treinar. Esse pedido do Grêmio para adiar a partida foi bom para o Juventude?

Antônio Carlos Zago: Talvez nós fomos ajudados para o primeiro jogo. No segundo fomos prejudicados. Nós não temos um plantel como tem o Grêmio, que entra um jogador e sai outro e equipe não sente. O Grêmio tem 20 jogadores em condições de jogar. Fizemos isso na fase classificatória, demos oportunidades para a base do clube, mas os jogadores jovens que nós temos não têm a experiência dos do Grêmio, como Everton, Lincoln, Pedro Rocha. Os jovens deles estão um pouco acima dos nossos.

CP: Como vai ser a postura do Juventude na Arena?

Antônio Carlos Zago: Temos que entrar com a mesma postura de ontem e do jogo que empatamos em 2 a 2 na Arena. Mesmo com um time misto naquela partida ninguém se amedrontou por ter que jogar na Arena. Agora aumenta a responsabilidade por ser uma semifinal. Mas os jogadores estão preparados e temos condições de conseguir a classificação para a final. Estamos jogando contra uma das melhores equipes do Brasil, mas temos a confiança de que podemos atingir o nosso objetivo.

CP: O favoritismo na semifinal era todo do Grêmio no começo, mas, depois da vitória por 2 a 0 em casa, será muito frustrante se o Juventude não for à final?

Antônio Carlos Zago: Depois de uma excelente vitória que fizemos em casa, com uma atuação convincente, é logico que seria frustrante, mas nada que vai atrapalhar o planejamento que temos para o futuro. O nosso principal objetivo é recolocar o Juventude na Série B do Brasileiro. Queremos fazer uma ótima Série C e chegar à B. Mas pensando no que fizemos ontem, será uma grande frustração se não passarmos.

CP: Como o Juventude conseguiu se manter forte mesmo sem o artilheiro Brenner?

Antônio Carlos Zago: Nós temos uma metodologia que implantamos desde o início, temos um jogo coletivo. Eu peço isso para os jogadores. Nós não temos grandes craques no futebol brasileiro, o meu conceito é que o coletivo vai levar a conquistar os objetivos. O Brenner se destaca desde o ano passado, foram 16 partidas comigo e 14 gols. Ele é um jogador que faz a diferença, mas ao mesmo tempo ganhamos o Roberson. Ele chegou em fevereiro, teve lesão e voltou logo depois que o Brenner se machucou. São quatro jogos e quatro gols dele. Perdemos um grande jogador, mas ganhamos outro.

CP: Você trabalhou com grandes técnicos, como Telê, Fabio Capello, Parreira, Luxemburgo e Felipão, tem algum desses que você tenta seguir o estilo?

Antônio Carlos Zago: Eu aprendi muito no começo da cerreira com o Telê Santana. Algumas coisas que ele pregava de conceitos de jogo são usadas agora no futebol. Depois tive grandes técnicos, como o Fabio Capello, o (Zdenek) Zeman, trabalhei dois anos como auxiliar do Mircea Lucescu no Shakhtar, fiz cursos da Uefa na Europa. Isso dá uma outra visão como treinador. As vezes o jogador pensa que pode encerrar a carreira e ser técnico logo em seguida. Isso é mentira. Todo mundo precisa estudar um pouco para seguir a carreira nova. Esses cursos são muito importantes.

CP: Você tem licença da UEFA. Tem como sonho treinar no futebol europeu?

Antônio Carlos Zago: O sonho mais perto é de poder firmar o meu nome no Brasil como treinador. Procurei esquecer tudo como jogador e começar uma nova etapa como treinador no Juventude. A intenção é melhorar. Queremos agora terminar bem o Gauchão, tentar recolocar o Juventude na Série B e depois treinar uma equipe grande. Aí lá na frente ter a oportunidade (trabalhar na Europa) até mesmo pelo nome que construí como jogador.

CP: O Juventude entrou no Gauchão pensando em título ou apenas em boa campanha?

Antônio Carlos Zago: Todo mundo tem que sonhar em ganhar o título. Você entra na competição para ganhar, claro que sabendo da nossa realidade. Sabemos que Grêmio e Inter estão em realidades totalmente diferentes. Isso é verdade, pelos nomes e história dos clubes. Mas não custa nada sonhar. É bom sonhar para realizar os sonhos.

CP: O Grêmio perdeu o Geromel para esses dois jogos, de alguma forma isso chega a ser comemorado por vocês?

Antônio Carlos Zago: Sempre fui muito sincero. O Fred é bom jogador, o Bressan também, assim como o o Rafael Thyere, mas o Geromel está um pouco acima desses. O Geromel é o melhor zagueiro que temos no futebol brasileiro junto com o Felipe (Corinthians). Ele é sério, sabe jogar, se posiciona muito bem e ainda tem muito para crescer. É um jogador que já merece estar na Seleção Brasileira, pelo que vem fazendo desde o ano passado. Vou ficar contente vendo ele vestir a camisa da Seleção Brasileira.

CP: Você falou que o Geromel deveria estar na Seleção. Como ex-zagueiro, o que você acha do atual nível dos zagueiros brasileiros?

Antônio Carlos Zago: O Thiago Silva é um dos melhores zagueiros do futebol mundial. Ele está muito acima do Geromel. por exemplo, que está iniciando carreira. Ele (Thiago Silva) é muito acima da média. Penso que juntos poderia fazer com o que o Geromel crescesse. Os dois poderiam formar a dupla de zaga da Seleção.

Por Cristiano Munari