Diálogos

Arthur Zanetti: “O esporte me deu tudo o que tenho”

Campeão olímpico, Zanetti prestigiou reinauguração de ginásio da Sogipa | Foto: Fernanda Davoglio / Divulgação Campeão olímpico, Zanetti prestigiou reinauguração de ginásio da Sogipa | Foto: Fernanda Davoglio / Divulgação


Aos 26 anos, Arthur Zanetti já pode ser considerado um dos atletas mais importantes do Brasil. Além das três medalhas em Campeonatos Mundiais, o paulista de São Caetano do Sul tem duas medalhas olímpicas. Agora, começa a preparação visando aos Jogos de Tóquio, em 2020. A convite da Sogipa, ele esteve em Porto Alegre para a inauguração do novo ginásio, que, segundo ele, transformou-se em um dos melhores do Brasil para a prática da ginástica

Correio do Povo: Muita gente conhece o Arthur Zanetti que aparece na TV competindo. Quem é o Arthur da intimidade?
Arthur Zanetti: O Arthur é um cara tranquilo, que gosta de curtir a família. Tenta aproveitar a vida também, pois faz parte. Até um atleta de alto rendimento tem vida pessoal, embora tenha de ser muito mais regrada que a de um cara de 26 anos que não é atleta. Mas sou muito tranquilo, gosto de ficar com os amigos, sem grande agitação.

CP: A ginástica é um esporte para perfeccionistas. Como é a sua rotina?
Zanetti: Minha rotina é de cinco a seis horas de treinos diários, de segunda-feira a sábado. Mas para conseguir ter bom resultado, não só no esporte, mas na vida em geral, é preciso muita dedicação, respeito e trabalho em equipe. Se cada um fizer a sua parte, se dedicando 100%, o resultado final com certeza é o que se espera, independentemente da atividade. Pode ser no esporte, no qual atuo, mas pode ser qualquer outro ramo. Acredito muito no trabalho duro e no espírito coletivo. Sozinho ninguém chega a lugar algum.

CP: Você tem 26 anos, idade limite para algumas modalidades, mas não para as argolas. Como você se sente?
Zanetti: Está começando um ciclo novo, que terá algumas modificações no sistema de pontuação, mas o maior fator motivacional para continuar treinando é conquistar mais uma medalha olímpica. É o objetivo, porque na história da ginástica não tem nenhum atleta de argolas que conquistou três medalhas olímpicas consecutivas. Então, se conquistar essa medalha, vou ser o primeiro. Deixar meu nome marcado na história da ginástica será motivo de orgulho. Vou correr atrás do meu sonho e representar bem o Brasil em mais uma Olimpíada, embora eu acredite que o apoio ao esporte diminua no futuro próximo. Aliás, depois dos Jogos do Rio, já sentimos uma retração dos investimentos.

CP: O que o esporte já te deu?
Zanetti: Posso dizer sem medo de errar que o esporte deu tudo o que tenho. Devo tudo à ginástica e ao esporte. Conheço vários países, conquistei várias coisas, tenho muitos amigos. Na real, resumindo, tudo que tenho foi a ginástica que me deu. O esporte me deu muita felicidade, tanta que jamais conseguirei retribuir à altura.

CP: O que ele ainda pode dar?
Zanetti: O legal do esporte é a surpresa. Mas ele sempre nos dá coisas boas. Uma delas é a felicidade de treinar, de competir, de conviver com pessoas boas em lugares legais. O mundo do esporte traz satisfação ao atleta, que até se priva de muitas coisas, mas tem a chance de chegar na hora da competição e conquistar o resultado que almeja. Só quem prova essa sensação sabe o que ela representa.

CP: O que fará após encerrar a carreira?
Zanetti: Vou continuar no esporte, mas provavelmente não como treinador. Esse não é o meu objetivo, embora a gente nunca saiba. Acho que vou me dedicar mais à área da administração, para apoiar as novas gerações a começar e se desenvolver no esporte. Quero facilitar a vida dos atletas que estão começando.

CP: Que papel você acredita que um atleta de sucesso como você tem em uma sociedade desigual e de poucas oportunidades como a do Brasil?
Zanetti: Acho que sirvo de exemplo, de espelho. Acredito que de uma forma ou outra, trago esperança para as pessoas. Afinal, ninguém acreditava que um brasileiro conquistaria uma medalha de ouro olímpica e eu fui lá é conquistei. Mas tudo tem história. Um dia eu vi o Diego (Hipólito) ser campeão mundial e percebi que a festa foi muito grande. Aquilo foi sensacional, pois tive certeza de que era possível. Disse para mim mesmo que queria ser como o Diego. E consegui mostrar para um monte de gente que não acreditava que o Brasil teria um campeão olímpico na ginástica. Provei para essas pessoas que, com trabalho duro, com seriedade e respeito, é possível conquistar qualquer coisa, inclusive uma medalha de ouro em Olimpíada.

CP: Você percebe que serve de exemplo para muitas pessoas?
Zanetti: Sim, mas nem sempre. Quando estou treinando, fico mais concentrado. Daí, não reparo. Mas, de várias formas, fico sabendo que uma ou outra criança começou a praticar esportes porque me viu na TV. Você não imagina a felicidade que é. Não tenho nem palavras para descrever, pois sei que o esporte é uma grande ferramenta para a formação de uma sociedade melhor.

Por Fabrício Falkowski