Diálogos

Douglas: “Se quiserem me dar três anos de contrato, ficarei feliz”

douglasMS99 Foto: Mauro Schaefer


CP: Todos os dias saem matérias ou fotos com você relacionado à bebida, como você lida com isso?

Douglas: Estou me acostumando. Isso me irritava bastante e me deixava bastante chateado. Mas hoje em dia, não ligo mais para isso não. Se tiver que tomar a minha cerveja, eu vou tomar. Peguei várias vezes: eu estava tomando a minha cerveja em um restaurante e tinha uma pessoa tentando tirar uma foto ou gravar com o celular. Às vezes, eles estão com o flash ligado e acabam sendo pegos de surpresa. Daí eu falo: “Pode tirar a foto, amigão. Fica à vontade”. O cara fica sem graça e não tira, mas não ligo mais. Não sou robô. Não sou de outro planeta. E quando quiser tomar, eu vou tomar, sem problema algum.

CP: O torcedor do Grêmio parece que abraçou um personagem seu. Parece que idolatra esse seu lado, você vê assim?

Douglas: Parece que entendeu mais isso. Não sei explicar, mas é bacana. Pelo menos, não estão me xingando.

CP: Você costuma usar muito as redes sociais. Como é essa interação?

Douglas: Eu participo mais para brincar ou tirar onda. Alguém escreve alguma coisa errada, alguma palhaçada deste tipo. Diferente do que fazia antigamente, que xingava e depois me arrependia e apagava para não ficar feio. Troco brincadeiras com o pessoal na Internet, de uma forma sadia e está bem bacana. Estou gostando.

CP: Oque você sentiu de mudança no Grêmio da primeira para essa segunda passagem?

Douglas: Eu virei mais profissional do que era. Não me cuidava tanto. Tinha 28 anos na época. Você acaba mudando a cabeça e pensando diferente. Alimentação era diferente. Então, você acaba mudando muito os gostos e costumes. Depois dos 30, acabou pesando um pouco essa sequência de jogos. Ficava muito pesado para recuperar. Comecei a mudar a cabeça e me preparar mais, até para estender a carreira. Estou com 33, talvez vá até os 36, 35. Sou um jogador mais consciente e isso tem me ajudado bastante. No clube, mudou mesmo a Arena e o CT. As pessoas que trabalhavam aqui, continuam, então, cheguei praticamente em casa.

CP: O que fazia que não faz mais?

Douglas: Eu dormia tarde. Meu sono era muito curto. Dormia as 4h e acordava as 8h. Não que ficasse bebendo, mas fica assim… "Amanhã vou estar inteiro! Vou conseguir me recuperar!" Comia poucas coisas. Hoje está muito diferente. Minha esposa está fazendo nutrição e mudou toda a alimentação em casa. É isso, não tem mais nada de diferente.”

CP: Teu pensamento é renovar no Grêmio e permanecer no clube?

Douglas: O pensamento é permanecer. Se eles quiserem me dar uns três anos de contrato, ficarei feliz, me aposento e fico para trabalhar no clube. Fica a dica (risos).

CP: Sonha em trabalhar no futebol depois que encerrar a carreira como jogador?

Douglas: Sei lá. Não me vejo trabalhando como treinador. Não tenho perfil. Vou ser um treinador muito maloqueiro, então, não vai ser legal. Não consigo dar uma dura em ninguém. Iria ficar muito parceiro dos jogadores, não que seja ruim, mas uma hora ou outra atrapalha. Um auxiliar de dia a dia, dando trabalho, até poderia. Mas treinador não.

CP: Acredita que será uma renovação difícil?

Douglas: Acho que não. Não tenho vontade de sair daqui. Minha preferência é aqui. Comentei com os meus empresários que o interesse é renovar aqui. Nada de proposta de fora. As propostas que tenham chegado, eles não tenham me repassado, pois a preferência é ficar aqui. Estou querendo ficar.

CP: O que a esposa mudou na tua alimentação?

Douglas: Ela mudou muita coisa em casa. Mudou o açúcar. Não pode mais beber leite. Faz três meses que não tomo leite. Pô, estou ansioso. Muita coisa. Arroz integral, salada aqui e peixe ali. Não que eu não goste, mas chega uma hora que pergunta: “Cadê a carne gordurosa?” Mas ela vai aprendendo e vai repassando. Tá pesado o negócio.

CP: O que tu acha do apelido “maestro pifador”?

Douglas: Eu não usaria. Eu não falaria “Eu sou o maestro pifador”, mas a galera gosta, então, está tranquilo.

E se tu tivesse que te dar um apelido, qual seria?

Douglas: Douglas! (risos) Grisalho até passaria, mas o resto não.

CP: E os memes, o que você acha?

Douglas: Colocaram o meu rosto no corpo do Maradona, quando ele estava magrinho. (risos) Até porque eu estou magrinho. Fica a dica, de novo. Legal, eu gosto. Os caras são criativos, inteligentes, é bacana. Dou risada demais.

Por William Lampert, Caroline Patatt e Carmelito Bifano