CP: O senhor acredita que possa fazer mais com menos?
Emerson Wendt: Sou sempre esperançoso, procuro ver as coisas pelo lado positivo. A forma de trabalho me leva a acreditar que posso fazer mais. Sempre trabalhei com planejamento, com a metodologia de gestão por resultados. Acho que a gente pode trabalhar isto muito bem com as condições atuais. Pode ser questionada a meritocracia dentro do serviço público, mas foi isso que me trouxe até a chefia. Acho que é importante levar isso para toda a Polícia, ou seja, recompensar aquele que trabalha e exigir que aquele que não presta o serviço desejável possa ser avaliado e também prestar. É isso que a sociedade espera.
CP: Tem regiões do Estado que vão ser prioritárias no enfoque da Polícia?
Emerson Wendt: Temos estratégias da Secretaria com os 19 municípios com índices de criminalidade mais elevados e que têm mais de 80% dos crimes. A Polícia Civil tinha elencado 11 locais, principalmente em termos de homicídio, e a Secretaria elevou para 19 e é nesse contexto que vamos trabalhar.
CP: Existem estratégias de outros Estados ou países que podem ser implantadas no Estado, na sua gestão?
Emerson Wendt: Em 2010, conheci o projeto Pacto pela Vida, de Pernambuco. Eu estava no Gabinete de Inteligência e conseguimos, no decorrer daquele contexto, implantar as delegacias de homicídio. Temos que reforçar a estratégia de combate aos crimes patrimoniais, que são crimes conexos ao tráfico de drogas e focar a questão da lavagem de dinheiro. Não adianta só prender o traficante, é preciso despatrimoniar o traficante e seu grupo criminoso e, de acordo com a lei, a gente também possa, se assim entender o Judiciário, ter estes recursos para investimentos nas polícias.
CP: A Associação dos Delegados (Asdep) lançou nota dizendo que não acredita que mudança de nomes na chefia possa “fazer milagre”, sem ter mais investimentos. O senhor concorda?
Emerson Wendt: A Asdep tem todo o direito de se manifestar. E não cabe a mim criar um embate. O que posso dizer é que investimentos sempre são bem vindos em termos de gestão e eles são mais bem vindos se forem bem aplicados. Não adianta um investimento grande em determinado ponto se isto não repercutir lá na sociedade com a diminuição de roubos e furtos de veículos, por exemplo.
CP: É desmotivador para o policial ver que o criminoso preso não tem ficado na prisão?
Emerson Wendt: A atividade do policial é prender. A decisão quanto a soltar ou manter preso é do Judiciário. Claro que o policial desanima, mas se precisarmos prender 10, 20 vezes esse é o nosso trabalho. A sociedade nos cobra isso, mas ela tem que cobrar do legislador esta mudança.
Assista ao vídeo:
https://youtu.be/svky86laS_Y
Por Cíntia Marchi

