Diálogos

Fábio José Rampi: “Precisamos fazer um jogo de excelência contra o Inter”

4652 Goleiro Fábio defendeu pênalti de Sasha na primeira partida da semifinal do Gauchão - Foto: Daniel Boucinha / São José / Divulgação / CP


O goleiro Fábio José Rampi, de 27 anos, responsável pelo 0 a 0 entre São José e Inter, no último sábado, no Beira-Rio, revela em entrevista ao Diálogos os segredos do clube da zona Norte de Porto Alegre, que está a uma vitória de avançar pela primeira vez na história para uma final de Gauchão. O jogador, que evitou com os pés a cobrança de pênalti de Eduardo Sasha, crê que o Zequinha tem totais condições de superar o Colorado em seus domínios e chegar a grande decisão.

Fábio comenta ainda sobre como se tornou um especialista em defender pênaltis, como ele vê o nível dos goleiros brasileiros e sobre os seus sonhos no futebol. O goleiro ainda dá dicas do que é importante para atuar no gramado sintético do Passo D"Areia.

Correio do Povo: Como você começou na carreira e por quais clubes passou antes de chegar ao São José?
Fábio José Rampi: Eu tenho 27 anos, sou natural de Erechim e vim para Porto Alegre com 14 anos para atuar no antigo RS Futebol Clube (de Alvorada). Depois atuei como juvenil no São José e rodei por clubes do interior do Estado. Disputei a segundona (atual divisão de acesso), atuei por outros clubes no Gauchão, cheguei ao São José em 2015 e estou aqui até hoje.

CP: O que te levou a jogar futebol?
Fábio José Rampi: Sempre fui um apaixonado pelo futebol. Desde pequeno eu respiro e vivo futebol. Frequentava escolinhas em Erechim. Minha família sempre incentivou eu e o meu irmão a praticar esportes. Então, desde pequeno o futebol está no sangue.

CP: Ao que se deve o crescimento do São José desde o segundo semestre de 2015, quando conquistou a Copa FGF
Fábio José Rampi: Eu acho que o São José vem colhendo aquilo que plantou. Com um bom planejamento, o clube consegue atingir os objetivos. O trabalho que vem fazendo é que dá resultados. É o que dá os frutos.

CP: Quais são os objetivos do São José na temporada?
Fábio José Rampi: São vários. Traçamos metas na reapresentação para a pré-temporada. A gente planejou o ano, mas sempre pensando no passo a passo. O primeiro era permanecer na primeira divisão. O outro era classificar entre os oito. Atingimos as metas pensando no jogo a jogo. Tratamos todos os jogos como decisões, acredito que foi isso que nos trouxe até aqui (oitavas de final do Gauchão).

CP: É possível chegar a final do Gauchão?
Fábio José Rampi: Dá para chegar, pois estamos trabalhando para isso. Nosso objetivo durante a semana é trabalhar concentrado para chegar no sábado e entrar em campo ainda mais concentrados para conquistar a vaga. Sabemos que vai ser difícil, como foi o primeiro, mas vamos nos preparar para estar bem.

CP: São José e Inter se enfrentaram no Passo D"Areia em 2016 e o jogo terminou empatado em 0 a 0 (placar que, se repetido, levará a decisão para os pênaltis). O que o São José precisa fazer para superar o Inter no mesmo gramado sintético?
Fábio José Rampi: O primeiro jogo foi muito parelho. As duas equipes tiveram chances naquele jogo. Vai ser uma partida muito semelhante. Vai ser muito disputado, da mesma forma do outro. São 90 minutos que valem uma vaga na final. Como vai ser um jogo bastante brigado, precisamos entrar 100% concentrados para conquistar a vaga e entrar para a história do clube.

CP: Na atualidade, a tua altura é considerada baixa para a função de goleiro. Mas você é conhecido por ser um excelente pegador de pênaltis, qual o segredo?
Fábio José Rampi: É estar concentrado no momento e sempre, quando é possível, estudar os adversários. Ver os jogos. Sou um apaixonado por futebol e assisto todos os jogos que passam na televisão. É assim com o Inter, quando eles jogam, eu assisto. A gente vai conhecendo os batedores desta forma. Depois, na hora, é concentração e tentar lembrar onde eles costumam bater. Onde tem uma tendência de bater, mas é muito difícil.

CP: O que atrapalha mais a altura ou o preconceito? Ou nenhum dos dois te atrapalha?
Fábio José Rampi: Bem sincero, no começo da carreira incomodava bastante as pessoas falando, mas eu costumo falar que, com o passar do tempo, a gente adquire experiências e acha forma de superar. Já me incomodou bastante e, agora, não mais.

CP: Futebol é espetacular porque tudo que é programado pode dar errado. Apesar de você estudar os cobradores, como você se prepara para uma possível mudança no momento da batida na bola?
Fábio José Rampi: Alguns jogadores têm muita qualidade técnica e são diferenciados. Esses podem bater em qualquer lugar. Se tivermos concentrados, a chance de fazer a defesa aumenta. E se o jogador bater mau, temos que defender.

CP: A equipe do São José chegou ao seu limite? Ou é possível passar do nível do momento e vencer a final do Gauchão?
Fábio José Rampi: Esse é o nosso intuito. Estamos pensando no jogo de sábado. Estamos pensando em trabalhar forte na semana. Pensando treino após treino. Essa é a nossa mentalidade desde o início e vamos seguir pensando desta forma, mas acho que o São José tem condições, sim.

CP: O que é preciso para vencer o Inter dentro do Passo D"Areia?
Fábio José Rampi: Fazer um jogo de excelência. Precisamos entrar muito concentrados, nos dedicarmos ao máximo e com muita dedicação, em especial, na marcação. O Inter tem muita qualidade. Seus jogadores são extraordinários. Então, a concentração e a determinação serão fundamentais. Além disso, temos que jogar. Temos muita qualidade, tanto que tivemos chance de fazer gols no Beira-Rio. Estamos trabalhando para vencer.

CP: Como o técnico China Balbino conseguiu montar uma equipe com a qualidade do Zequinha e levá-la a semifinal?
Fábio José Rampi: Além de nos conhecermos há bastante tempo,o China é um cara que se preparou para isso. Estudou para trabalhar no futebol. Foi auxiliar de diversos treinadores. Se preparou para o momento e vem dando conta do recado. É um trabalho excepcional.

CP: Qual é o teu sonho dentro do mundo do futebol?
Fábio José Rampi: Ser bem-sucedido. Jogar as principais séries do Campeonato Brasileiro e estar na vitrine.

CP: No ano passado, você fez uma boa temporada e propostas surgiram. Em 2016, elas já começaram a chegar?
Fábio José Rampi: Em 2015, surgiram algumas oportunidades, mas elas acabaram não se concretizando. Esse ano da mesma forma. Algumas pessoas ligam. Entram em contato com o clube, mas, neste momento, não vou jogar em outro clube, se não for aqui. Então, tenho que ficar concentrado no São José. É importante porque é um reconhecimento o trabalho. Não só para o Fábio, mas para a maioria dos jogadores e para o técnico. Todo mundo está na vitrine, assim como o clube.

CP: Você já conversaram sobre os objetivos no São José na Série D do Brasileiro? Vão entrar para buscar vaga ou acreditam que o momento é de reforçar ainda mais o clube e focar no próximo ano?
Fábio José Rampi: Ainda não conversamos, o que deve ocorrer depois do Gauchão. Mas acredito que, como todo o clube que quer crescer, tem que almejar o acesso. O exemplo é o Brasil de Pelotas, que saiu da D, passou pela C e chegou a B. Tem o Ypiranga que ano passado subiu para a Série C. É importante para o clube crescer, ter mais visibilidade e ter mais investimento. Acredito que o clube deve pensar sim no acesso, pois é importante para todo mundo.

CP: Você trabalha em um gramado sintético e cai muitas vezes no chão, quando vai jogar em um gramado natural é normal? Você precisa de uma readaptação?
Fábio José Rampi: Não, é diferente. Bastante diferente. No Passo D"Areia, a bola quica mais. Ela é mais viva. No Gauchão, quando a gente joga fora de casa, geralmente, treinamos no natural para ter uma readaptação. Como a gente treina aqui, estamos acostumados com o quique e o andar da bola. Então, tudo passa por adaptação.

CP: A torcida do São José, comparada com as maiores forças do Estado, é pequena e tem sua maioria nas redondezas da sede. Como é o relacionamento com os torcedores?
Fábio José Rampi: É bem bacana. Eles nos apoiam muito. Eles viajam para todos os lugares onde jogamos. Estamos lá em Passo Fundo (distante 289 quilômetros da capital), olhamos para o lado e a torcida está lá, junto com a gente. Isso nos deixa muito felizes porque esses são os verdadeiros apaixonados pelo clube.

CP: Como você vê o desempenho dos jogadores brasileiros da sua função na atualidade?
Fábio José Rampi: Historicamente o Brasil sempre foi muito bem servido de goleiros. Não é diferente neste momento. O Alisson é um grande goleiro e está fazendo por merecer as convocações. O Marcelo Grohe também é um grande profissional. O Diego Alves também. Vi um jogo dele contra o Barcelona e ele fechou o gol. Impressionante. O Brasil está muito bem servido. O Alisson e o Marcelo (Grohe) estão sendo convocados por muito merecimento.

Confira vídeo de Fábio falando sobre a estratégia para defender pênaltis



Por Carmelito Bifano