Felipe Garcia: "Jogamos a próxima partida como se fosse a última"
Doze gols e a liderança na artilharia da Série B. O meia-atacante Felipe Garcia é um dos maiores expoentes da ótima campanha do Brasil de Pelotas na Segunda Divisão. Com 39 pontos, o Xavante pode assumir a liderança da competição na próxima rodada caso vença o Paysandu na sexta, em Belém, e o Vasco perca para o Oeste no sábado. Mesmo com estes números, Garcia mantém os pés no chão e diz que o objetivo do clube é não ser rebaixado. Um passo de cada vez.
Na entrevista ao blog Diálogos, o atleta fala do atual momento na carreira, de eventuais propostas de outros clubes e de sua passagem pelo futebol dinamarquês.
Correio do Povo: O Brasil de Pelotas chega a 23ª rodada da Série B em segundo lugar e podendo assumir a liderança na próxima rodada. Vocês esperavam uma campanha assim no começo da competição?
Felipe Garcia: Na verdade, a gente já sabia que ia ser um campeonato muito difícil. Mas a gente trabalhou muito forte para estar preparado, da melhor forma possível. A próxima partida vai ser tão importante quanto foi a primeira do Brasil de Pelotas. E é dessa maneira que a gente lida sempre nos campeonatos que vai disputar: fazer da nossa próxima partida como se fosse a última.
CP: Qual o segredo para o Brasil fazer essa campanha tendo investido menos que maior parte dos rivais da Série B?
Felipe Garcia: Não é um segredo, mas é o modo como o Brasil tem feito há anos. Este sucesso, talvez, começou lá na volta do Rogério Zimmerman, com a ascensão pra primeira divisão do Campeonato Gaúcho, e logo o acesso pro nacional. O trabalho vem sendo bem feito há um bom tempo. Estes resultados agora, os desempenhos individuais são resultados do trabalho e planejamento que foram feitos lá atrás.
CP: Com 12 gols você é o artilheiro da Série B. Qual sua meta de gol até o final da competição?
Felipe Garcia: Nunca tive meta de gols. A minha meta é dar o meu melhor na próxima partida. A gente vai ter uma partida muito difícil nesta sexta-feira (contra o Paysandu). Então é me preparar o melhor que puder, pra ajudar o Brasil nesta campanha.
CP: E a meta da pontos do Brasil para a subir para a Série A? Vocês já fizeram essa projeção?
Felipe Garcia: É difícil fazer uma projeção. A gente quer permanecer na Série B. Quando isto realmente for garantido, a gente vê o que tem do campeonato pela frente e traça objetivos maiores.
CP: Vocês já pensaram na possibilidade de conquistar o título da Série B?
Felipe Garcia: Primeiramente, a gente estipulou que a permanência na Série B é mais importante do que pensar em título. A nossa permanência em um campeonato duríssimo que é a Série B, com equipes de alto nível, e sendo um estreante na Série B este ano.
CP: Você veste a camisa 7, que era do Cláudio Millar, ídolo histórico do Brasil que perdeu a vida naquele acidente com o ônibus do clube. É uma responsabilidade a mais usar essa camisa?
Felipe Garcia: Tem todo um significado para a torcida. O Cláudio Millar era um ídolo, fez muitos gols. Realmente é uma honra pra quem veste esta camisa. Não só pra mim, mas para alguém que possa vir vestir e até pra quem já vestiu.
CP: Você atuou no Pelotas antes de jogar no Brasil, como foi essa mudança entre os rivais da cidade? A torcida teve alguma resistência para te aceitar no começo?
Felipe Garcia: Pelo contrário, eu fui muito bem recebido pela torcida do Brasil. Foi uma troca super profissional. Me deram apoio, o pessoal sempre foi super aberto comigo, me deixou à vontade no clube. Isto facilita muito pra que o atleta chegue no clube e consiga desempenhar um bom trabalho. E não só a torcida, como os atletas que estavam no momento quando fiz esta troca. Tanto o grupo quanto a comissão técnica foram de maior importância pra minha adaptação no Brasil.
CP: Com esse bom momento, você já recebeu alguma proposta de clube da Série A? Inter ou Grêmio te procuraram? Se falou em interesse do Atlético-MG,
Felipe Garcia: Como sou empregado do Brasil de Pelotas, caso ocorra alguma proposta, quem vai receber é o clube. Mas não recebi nenhuma ainda. Qualquer sondagem, primeiramente é com o Brasil. Então, nesta parte estou tranquilo. As especulações que possam surgir são legais, pois é um retorno do nosso trabalho. Do momento da equipe, dos atletas que estão aqui. Não só pra mim, mas pra todos que vivem um momento muito bom. E isso é legal no futebol.
CP: A janela de transferências entre clubes brasileiros ainda está aberta. O torcedor do Brasil de Pelotas pode ficar tranquilo que você seguirá no Bento Freitas até o final da Série B?
Felipe Garcia: Sim, o meu contrato vai até o final do ano e a gente tem um campeonato muito longo pela frente. A nossa próxima partida já vai ser mais uma decisão. Tem que estar bem focado e determinado no Xavante, que é aqui que eu vou terminar o ano.
CP: Existe a possibilidade de renovação com o Brasil de Pelotas?
Felipe Garcia: Como a gente estipulou a permanência do Brasil de Pelotas na Série B, estas questões ainda foram não tratadas. O Brasil me contratou pra disputar a Série B e assim vai ser até o final. Independente do que acontecer, quando acabar o meu contrato, no final do ano, a gente senta e vê o que é melhor.
CP: Como foi a experiência profissional no Naestved, na Dinamarca?
Felipe Garcia: A minha experiência na Dinamarca foi maravilhosa. Vou guardar pra sempre. Fui bem cedo pra lá, com 17 anos, e meu primeiro contrato profissional foi lá, durante três temporadas. Tive a possibilidade de ficar, mas retornei, por vontade própria. Colho frutos do tempo que estive lá até hoje.
Por Louisiane Cardoso e Cristiano Munari
