Diálogos

Galatto: “Nunca vai ter outro jogo como a Batalha dos Aflitos”

"Lembro que o Lucas (Leiva) veio me abraçar (depois do pênalti) e eu fiquei gritando que tinha escanteio". Foto: Ricardo Giusti


CP: Quando pulou, tu lembrou de esticar a perna ?

Rodrigo Galatto: Não é lembrar, é o treinamento. Tem vários tipos de treinamentos. Hoje em dia ainda mais. Lembro que o Chiquinho tinha trabalhos de reação. Tu vira e ele chuta. Me lembro que fui para a esquerda, tentando segurar a mão, mas quando vi que não ia dar para segurar com a mão, fui com a perna.

CP: Esse tipo de defesa é bastante trabalhada pelo Chiquinho?

Rodrigo Galatto: O Chiquinho é um treinador que me ajudou muito. Em janeiro, eu era o quarto goleiro e ia ser emprestado. Ele falou que eu, com 22 anos, tinha um potencial grande, só que tinha três na minha frente. Então ele achou que seria melhor eu ir para outro clube disputar o Gauchão. Acabou tendo alguns problemas e não fechei contrato com o Brasil de Pelotas. Eu e Grêmio estávamos fechados, mas o Brasil tinha que pagar metade do salário e não aceitava. Queria de graça. Não nos acertamos e, em uma semana, fiquei sabendo que um dos goleiros do Grêmio, o Andrei, saiu. Então fiquei de terceira opção. Ficou o Eduardo e o Márcio. Passou o Gauchão e veio o Mano Menezes, que dispensou o Márcio. Então já fui para a segunda opção e, no terceiro jogo, o Eduardo pediu para ir embora. Em uma semana, tinha que estar preparado para jogar contra o Criciúma e ganhamos de 2 a 0. Eu sempre tive um apoio grande do Mano, Chiquinho e Paulo Odone. É importante todo mundo remar para o mesmo lado.

CP: Depois de defender o pênalti, tu pensou que tinha mais 15 minutos para segurar o jogo?

Rodrigo Galatto: Até por isso que não comemorei muito a defesa. Fiquei frio porque tinha mais aquele tempo para evitar tomar gols. Me lembro que o Lucas (Leiva) veio me abraçar e eu fiquei gritando que tinha escanteio contra. Nem comemorei muito. Meu negócio era comemorar depois que o juiz apitasse. Quando acabou o jogo eu perdi forças, cai no chão e lembro que me levantaram avisando que a torcida podia invadir. Olhava para o lado e via pilhas, rádios e até chinelos voando, mas eu percebi que eles estavam saindo do estádio e que não ia ter uma invasão. Os jogadores do Náutico não estavam acreditando e alguns choravam. A gente chorando de alegria e eles de... Isso é o futebol.

CP: Quando saiu o gol do Anderson, tu sentiu que o jogo tinha acabado?

Rodrigo Galatto: Não estava acreditando no que tinha acontecido. Lembro que pensava "Que loucura". Assim que saiu o gol, foi todo mundo para cima do árbitro pedir para que apitasse o final da partida. Quando o Anderson marcou deu uma aliviada porque o empate ainda era do Grêmio. Acho que a experiência do Sandro, Pereira, Marcelo Oliveira de pressionar o árbitro para terminar, ele acabou terminando até um pouco antes.

CP: Tu viu algum poder de reação no Náutico?

Rodrigo Galatto: No momento do gol, os zagueiros estavam conversando e o Anderson indo na direção do gol. Na imagem, aparece eles conversando e quando um fala para o outro marcar o Anderson.. Se o Anderson se atira ali era pênalti, mas ele ainda fez o gol.

CP: Tu tem contato com alguém daquele grupo?

Rodrigo Galatto: Sim, com o Marcelo Grohe, o Patrício, o Pereira, que foi meu companheiro agora no Juventude. Conversava muito com o Pereira, mas não só desse jogo. Ficamos três anos jogamos juntos, em 2005, 2006 e 2007. Depois, saí do Grêmio e ele continuou. Naquela época, ele era um dos líderes e hoje é um dos líderes no Juventude. Também tem o Sandro Goiano e o Lucas,. Os outros, encontrei jogando contra, como o Mano Menezes que estava no Corinthians quando eu estava no Atlético-PR. O Chiquinho eu mantive o contato e ele até me indicou para alguns clubes. É um cara que sempre tentou me ajudar desde que eu jogava com ele. Muita gente falava que ele era chato. Mas o Chiquinho explicava que, no dia em que ele parasse de cobrar de um jogador, é porque ele não gosta mais e que não queria que ele vença na vida. A cobrança dele era para que o jogador sempre seja um dos melhores. Eu tive vários momentos bons na carreira em clubes, e com ele em 2005 e 2007. Em 2006, tive muitas lesões. Tive uma na cabeça, inclusive, e elas me atrapalharam muito no Grêmio.

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Por Carmelito Bifano e William Lampert