Tacy Campos interpreta Cássia Eller no musical sobre a cantora. Foto: Marcos Hermes / Divulgação / CPPrimeira produção do gênero a circular em todas as capitais do Brasil, "Cássia Eller, o Musical" já foi assistida por mais de 100 mil espectadores. Porto Alegre será a última capital a receber o projeto, que destaca a carreira de uma das vozes mais marcantes da MPB. Dirigido por João Fonseca e Vinicíus Arneiro, com direção musical de Lan Lanh e texto de Patrícia Andrade, o musical conta a história da compositora e cantora antes do início de sua carreira musical e acompanha toda sua trajetória. A idealização em 2012 foi do diretor gaúcho de Cruz Alta, Gustavo Nunes, 41 anos, radicado no Rio de Janeiro desde 2001, o mesmo ano da morte de Cássia. A estreia foi em 2014, com 39 canções, fazendo um passeio desde uma criação autoral quase obscura, como "Flor do Sol", até algumas canções que ficaram imortalizadas por Cássia, como "Malandragem" (Cazuza/Frejat), "Socorro" (Arnaldo Antunes/Alice Ruiz) e "Por Enquanto" (Renato Russo). O amigo Nando Reis, que é também personagem do espetáculo, comparece com várias composições no repertório, como "All Star", "O Segundo Sol", "Relicário", "Luz dos Olhos", entre outras. O papel-título é interpretado por Tacy de Campos, atriz e cantora de Curitiba que foi escolhida entre mais de mil candidatas que se inscreveram para as audições, quando foi definido o elenco, que conta com Eline Porto, Emerson Espíndola, Juliane Bodini, Jana Figarella, Jandir Ferrari e Thainá Gallo. A banda é formada por Felipe Caneca (pianista), Pedro Coelho (baixista), Diogo Viola (guitarrista), Mauricio Braga (baterista) e Fernando Caneca (violonista).
As apresentações em Porto Alegre ocorrem no Theatro São Pedro (Praça da Matriz, s/nº) desta sexta até domingo, nos seguintes horários: sexta às 21h; sábado às 17h e 21h; domingo às 18h. Os ingressos podem ser adquiridos no local.
Em entrevista ao Correio do Povo, Gustavo Nunes fala sobre o musical, sobre o Rio Grande do Sul, a escolha da protagonista Tacy Campos, o repertório e futuros projetos.
Correio do Povo: Como foi a ideia para construir este musical sobre Cássia Eller?
Gustavo Nunes: Eu comecei a produzir musicais em 2008 e fiz algumas homenagens como "Tim Maia" e "Rio, o Musical". Sem dúvida, a história da Cássia era uma que precisava ser contada tanto pessoal como artisticamente. Era difícil se falar da história logo que ela morreu em 2001. A família ficou fechada. Em 2012, quando a família estava começando a falar, nos demos conta que ela merecia uma homenagem por tudo que ela representou. Aí contatamos o Fernando Nunes, violonista e guitarrista, e a Lah Lahn, percussionista, músicos da Cássia, que tocaram 10 e 8 anos, respectivamente com ela. Eles seriam os diretores musicais. Bebemos na fonte. Colocamos histórias que ninguém sabia ou que não eram tão famosas, como quando ela descobriu o cajón, que a Lan Lahn apresentou a ela, e cenas com a mãe dela cantando junto.
CP: E a seleção da protagonista. Parece que a audição foi estarrecedora?
Gustavo Nunes: Nós fizemos cinco dias de audição em março de 2014 e a estreia foi em maio. No processo de seleção para a audição, a gente ficou muito tempo com o material. A diretora de elenco e a de casting viajaram o Brasil inteiro. No início, quando a gente lançou a seleção, vieram muitos homens que queriam o papel. Foram mais de mil pessoas. A Tacy Campos fazia um tributo à Cássia Eller em Curitiba. A produtora a convidou para fazer um teste. Na sala estava um exército de gente, 12 pessoas. Quando ela entrou e começou a cantar, todos pararam, parou o tempo. Além de ser fisicamente parecida, a presença dela e a voz lembravam muito a Cássia. A Lan Lahn e o Fernando Nunes choraram. O Fernando pegou o violão e já começou a tocar junto. O maior problema é que ela era cantora e nunca tinha atuado. Trabalhamos o canto e a interpretação. Não sabíamos se ela ia render duas horas também atuando, mas o resultado é a presença, a voz, a energia da Cássia, que também está na atriz que reveza, Jana Figarella, que vai atuar na sessão de sábado, 17h, que tem o timbre até mais próximo do da Cássia.
CP: Quais são os momentos marcantes do musical?
Gustavo Nunes: Um momento bem marcante é quando ela canta "Por Enquanto", do Legião Urbana; e também "All Star", pois também tem a história da parceria dela com o Nando Reis. Em "Malandragem", há uma interação maior com a plateia. Também temos trechos do show do Rock in Rio. Temos 39 canções, pois como se sabe nos musicais nem sempre executamos a canção inteira. Não é um show da Cássia. Ele tem um andamento próprio da história e onde a música é predominantemente e tem que contar esta história.
CP: Quais as facetas da Cássia Eller que aparecem no musical?
Gustavo Nunes: O musical é bem diferente do documentário. No roteiro da Patrícia Andrade, o clima do musical é alegre. A Cássia era alegre. Apesar de ser alegre, é emocionante, a grande maioria das pessoas choram. Ela era uma pessoa contagiante, solar, brincalhona, sempre de bem com a vida. A gente tenta passar mais este lado.
CP: E a tua ligação com o RS e com os teus conterrâneos gaúchos? Temos uma gaúcha no musical?
Gustavo Nunes: Sim, temos a Thainá Gallo. Ela interpreta a Lan Lahn no espetáculo. Ela tinha trabalhado aí em Porto Alegre com o João Pedro Madureira, que foi nosso assistente de direção no início do musical. Ele a convidou para a audição. Ela tem uma bela voz e atuação, passou por merecimento e não por ter amigos na produção. A minha ligação também é natal. Nasci em Cruz Alta, vim para Porto Alegre jovem, me formei em Direito na Ufrgs e trabalhei no Tribunal de Justiça. Sou irmão do comunicador Bibo Nunes e estou no Rio de Janeiro desde 2001. Lá me formei em Artes Cênicas pela UniverCidade e desde 2008, formei a produtora Turbilhão de Ideias.
CP: Um diferencial do musical está na sua turnê. Com a chegada a Porto Alegre, vocês fecham as 27 capitais brasileiras. Como foi conseguir esta façanha?
Gustavo Nunes: Primeiro queria dizer que a gente queria trazer o espetáculo para Porto Alegre há muito tempo. Em 2014, ficamos por Rio e São Paulo, mas em 2015 foi a turnê nacional e em 2016, fechamos todas as 27 capitais com esta vinda a Porto Alegre. Acho que é o primeiro musical da história a conseguir este feito. Em alguns locais, já fomos anos seguidos, como Rio, São Paulo e Belo Horizonte. Todos, do elenco à direção, estamos ansiosos por estas apresentações em Porto Alegre, pois é uma referência de cultura, de educação, de público para o teatro e a música.
CP: E os próximos projetos teus ou da Turbilhão de Ideias?
Gustavo Nunes: O próximo projeto será com a Juliana Carneiro da Cunha, a atriz brasileira do grupo francês Théâtre du Soleil, com roteiro do Aloísio de Abreu. Será um musical em homenagem à Bossa Nova, com atuação do Fernando Eiras e da Isa Eirado. Teremos que montar somente em 2018, pois vamos esperar a Juliana para começar o processo.
Por Luiz Gonzaga Lopes
