O prefeito eleito Nelson Marchezan Jr fala de seus planos para o futuro da Capital. Sua proposta inclui a busca por Parcerias Público-Privadas e concessões para resolver a crise das finanças públicas. Prevê crise e dificuldades para 2017, mas também oportunidades.
Correio do Povo: Quais são as perspectivas do prefeito Nelson Marchezan para 2017 ?
Nelson Marchezan Jr: Para o prefeito, é de muito trabalho. Para todos em Porto Alegre será um ano difícil na economia. Será difícil por má administração das finanças públicas em nível nacional, estadual e nos municípios. A gente vai enfrentar as dificuldades com muita transparência, sempre falando a verdade e apontado os caminhos e resultados que a gente espera chegar. Serão meses iniciais muito difíceis. Restarão muitas despesas que não vão ser pagas até o final deste ano. Vamos administrá-las com toda a transparência para que possamos ver luz no fim deste túnel.
CP: Quais são as prioridades?
Nelson Marchezan Jr: As mesmas da campanha. A saúde, que é um problema às pessoas com menos potencial econômico. Tem a questão da segurança. É uma característica de Porto Alegre ter altos índices de criminalidade, que são superiores à totalidade das nossas capitais. Nossa cidade está entre as mais perigosas do mundo. E há a geração de empregos. É uma grande questão que colabora para reduzir a criminalidade e para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Com prioridade a essas três linhas acho que conseguiremos avançar muito já de início de governo.
CP: Para o cidadão Marchezan, como está a cidade?
Nelson Marchezan Jr: Falo também como futuro prefeito. Vamos herdar uma cidade em crise, vamos administrar uma cidade em crise financeira num ambiente de crise econômica. Mas as crises, além dos seus momentos difíceis, trazem também oportunidades. Faremos o máximo para superar as dificuldades e encontrar ótimas oportunidades aos cidadãos.
CP: O que o prefeito espera da relação com o governo do Estado?
Nelson Marchezan Jr: Sabemos dos problemas financeiros do governo Estado. A gente espera parcerias para atuarmos juntos em áreas cruciais, onde realmente se atuarmos juntos faremos grande diferença na vida das pessoas, principalmente, nas áreas da saúde e segurança.
CP: Qual é o grande desafio?
Nelson Marchezan Jr: Sem dúvida nenhuma são as finanças públicas, é resolver as finanças públicas de Porto Alegre, que estão numa situação lamentável.
CP: O senhor já sabe como começar a resolver esse problema?
Nelson Marchezan Jr: A saída vai sair do relacionamento com o setor privado. Ou através de concessões, parcerias, contratualização com organizações sociais, enfim, formas para que a iniciativa privada traga investimentos naquelas áreas nas quais a prefeitura não tem recursos e também não tem a competência e agilidade que a vida das pessoas exige. A vida é hoje. Não posso esperar 20 anos na expectativa de que talvez a prefeitura tenha caixa pra fazer uma obra que vai trazer qualidade. As pessoas e eu queremos resolver hoje.
CP: Quais são as áreas mais urgentes de parcerias com o setor privado?
Nelson Marchezan Jr: Todas são passíveis de concessões e Parcerias Público-Privadas.
CP: Há muitas críticas à EPTC. Qual será a diretriz à empresa?
Nelson Marchezan Jr: Tem um grande desafio na EPTC: tornar essa empresa mais próxima e até mais querida dos porto-alegrenses, mais educativa, mais cuidadora do trânsito efetivamente do que única e exclusivamente voltada para as multas. Esse é o caminho para a EPTC, que possa contribuir através do seu conhecimento e tecnologia na questão do trânsito, da mobilidade e do transporte público. Claro, não há como deixar de multar, sempre que houver contravenção ela não pode deixar de aplicar multa, até porque do contrário seria o caos. Mas tem que mudar o foco dela, agregar outra forma de agir.
CP: No transporte público, como a prefeitura agirá com as empresas de ônibus. Vai mudar alguma coisa?
Nelson Marchezan Jr: Queremos focar nossa relação com as empresas de uma forma muito mais transparente para que a gente possa efetivamente avançar na qualidade. É preciso que o transporte público seja mais atrativo, que as pessoas tenham conforto, previsibilidade, tecnologia e segurança. Assim as pessoas darão preferência ao transporte público.
CP: E quanto as obras viárias de peso, como viadutos, elevadas, e outras na infraestrutura. O senhor terá caixa para esses investimentos? Pretende fazer algo em 2017?
Nelson Marchezan Jr: A situação pelo que se apresenta está muito difícil, então a nossa ideia é focar nas finanças públicas e administrá-las para que se possa fazer um planejamento. Vamos sempre priorizar as obras que estão inacabadas, paradas.
CP: Sobre a Carris, será privatizada, terá nova gestão?
Nelson Marchezan Jr: Olha, a Carris é uma empresa que deu no ano passado R$ 50 milhões de prejuízo, valor que deve se aproximar disso em 2016. Não é aceitável isso. Então nós vamos buscar uma gestão mais qualificada para que a população de Porto Alegre não seja obrigada a pagar esse prejuízo, que ela se torne uma empresa mais viável e referência no transporte público, sob pena de no futuro ser privatizada.
CP: Como o senhor fará a gestão da saúde para cumprir as promessas de campanha de ampliar o atendimento dos postos?
Nelson Marchezan Jr: Vamos passar pela arrumação das finanças públicas, tentar implementar tudo aquilo que a gente buscou e enfrentar questões maiores ainda para resolvermos ou chegar perto. É o caso de eliminar as filas que temos em algumas áreas e especialidades, avançar no atendimento dos postos de saúde para que a gente possa também aliviar os hospitais e a aplicação de muita tecnologia para melhorar o acesso e a resolutividade da saúde pública.
CP: O senhor acha que vai conseguir mudar alguma coisa no primeiro ano?
Nelson Marchezan Jr: A gente vai conseguir avançar bastante, com certeza.
CP: Há muita preocupação dos defensores da causa animal com o anúncio da extinção da Seda e o hospital veterinário doado ao município.
Nelson Marchezan Jr: A secretaria de Sustentabilidade é quem vai cuidar da questão dos animais, da proteção dos animais. O hospital precisa ser liberado, ele ainda não foi liberado pelos órgãos da prefeitura de Viamão. Depois nós vamos precisar buscar recursos para a manutenção dele.
CP: A busca de parcerias é viável?
Nelson Marchezan Jr: A gente vai ter que buscar parcerias privadas, não há dúvidas quanto a isso.
Por Heron Vidal
