CP: Como funciona a relação de um jogador experiente, um líder, com o treinador, ele influencia o trabalho?
Paulo César Baier: Isso depende de cada um. Têm treinadores que perguntam uma ideia, têm outros que não. Eu nunca interfiro em nada, vou ali e faço meu trabalho. Opinião tudo bem, mas na maioria das vezes, eu procurei fazer sempre meu trabalho, ser profissional. Chegar no horário, fazer meu treino, ajudar o clube e me dedicar.
CP: Foi planejada a aposentadoria, ou algo que você resolveu nos últimos dias?
Paulo César Baier: Foi na última semana que eu decidi, estava mais pensativo. Voltar para o São Luiz onde tudo começou e ir para outro clube encerrar, não seria o mesmo sentimento. Acho que ficou legal assim, começar ali e terminar ali, acho que foi bem pensado e bem legal.
CP: Como foi a sensação da última partida?
Paulo César Baier: Lógico que vou sempre estar jogando minha peladinha, mas não tendo mais compromisso de concentração e viagem. No momento do jogo, o sentimento foi ruim, mas no outro dia levantei muito feliz e muito alegre, pois tinha cumprido meu dever depois de 21 anos. Ter jogado em vários clubes, saído daqui com dificuldades e ter conseguido tudo que consegui. No outro dia estava bem legal, com ar de dever cumprido.
CP: Você pretende seguir trabalhando com futebol?
Paulo César Baier: Estou me preparando. Dia 25 tem um curso em Porto Alegre e devagar vou fazer estágios com treinadores que conheço. De repente, já no início do ano que vem consiga estar trabalhando com algum time. A tendência é que eu vire treinador e possa ajudar os mais jovens.
CP: Já que vai ser treinador, o plano é montar um time mais marcador, estilo Argel Fucks, ou uma equipe com toque de bola, tipo o Roger Machado?
Paulo César Baier: Eu, para arrebentar o argumento, vou dizer os dois, um pouco de cada. Tem que ter a marcação, mas também tem que ter o trabalho ofensivo. Isso é dividido. Um pouco de cada tem que ter. Mas tudo também depende muito dos jogadores, os jogadores têm que ajudar bastante. Mas eu entendo o desafio deles, a dor de cabeça. Como um jogador você tem um jeito de pensar, como treinador, tem que pensar em 30 caras, é preciso saber lidar.
Por Bernardo Bercht

