MPF já demonstrou que pedalada não é crime de responsabilidade. Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado / CPPor João Pedro Ferrari
Na última fase do processo de impeachment, os senadores gaúchos relatam a dificuldade na política nacional diante da grande crise que se instala no país. O senador de oposição, Paulo Paim (PT-RS), faz duras críticas ao governo interino, que segundo ele poderá acabar com as grandes conquistas sociais feitas nos últimos anos.
Nos últimos meses, a política partidária vem sendo questionada pelos parlamentares. O senador petista, afirmou, no começo do ano, que discorda de algumas atitudes do Partidos dos Trabalhadores, principalmente, na questão previdenciária.
Pergunta: Senador, houve crime de responsabilidade fiscal?
Paulo Paim: O Ministério Público Federal já mostra que decreto e pedalada não é crime de responsabilidade. O Tribunal de Contas, por sua vez, já reconhece, o próprio Tribunal Internacional, provocado, também disse que não há crime de responsabilidade. Até porque se fosse crime, a maioria dos governadores e prefeitos já estariam afastados. Os ex-presidentes todos adotaram esse mesmo critério. Quando converso com os próprios senadores, pelo menos alguns com segurança me falam isso: “Paim, nós sabemos que não crime de responsabilidade. Sabemos que a presidenta é honesta, a questão é política” dizem eles. Então a gente lamenta que mesmo aqueles que estão convencidos que não crime de responsabilidade estejam condenando, cassando o mandato de uma presidenta eleita com 54 milhões de votos.Política temos que fazer para defender causas, parte do campo das ideias, mas não ter uma postura que vai contra os princípios da própria democracia. Buscando a imagem de Juscelino Kubitschek: farei em cinco anos, o que não fizeram em cinquenta. Esse governo está desmontando tudo que o povo brasileiro construiu nos últimos cinquenta anos.
Pergunta: O senhor pretende manter o mesmo voto da última votação?
Paim: Acho que um homem público tem que tem coerência na sua trajetória. Como eu defendo causas e não coisas, a causa maior de todas as causas é a causa da democracia. Quando alguém ataca a democracia é claro que eu fico do outro lado. Em defesa da democracia, liberdade, justiça e do poder popular.Todo poder demanda do povo, tem que ser dado esse direito de eleger ou mudar um governo quando entender adequado. Mas, pelo voto popular, não em cima de mentiras e prova que eles até hoje não conseguem encontrar. Tanto que falam que é o conjunto da obra. Que conjunto da obra? Se não existe nos autos do processo não existe.
Pergunta: O senhor acredita que é possível reverter o quadro ou a presidente será afastada em definitivo?
Paim: É muito difícil, porque aqueles que foram seduzidos pelo poder, querem o poder a qualquer preço. Lamento ainda, que esses partidos, posso dizer a maioria estavam no governo anterior, no governo da Dilma. Ministros inclusive, que um dia estavam lá, e no outro votaram contra. Que foi no dia da admissibilidade. Quer dizer, dar pra entender? Tu faz parte de uma equipe, ministro daquela equipe, decide junto com a presidenta, encaminha junto com a presidenta, e depois você vem, se faz de morte, por que eles se fazem de morto. Não falam nada, silenciosamente, encabulados, no meu entendimento, e votam contra a presidenta. Por isso, que acho muito difícil reverter. Claro que o fato novo é a vinda da presidenta, pode ser que alguns fiquem constrangidos, encabulados, envergonhados, da sua postura, de está afastando uma presidente inocente e talvez mudem, mas é muito difícil. Quem já vendo a alma para o “diabo” não vai na última hora, desmanchar o negócio que fez.
Pergunta: Nos últimos meses, o senhor fez algumas críticas ao Partido dos Trabalhadores. Houve uma discussão sobre a saída do partido. Ainda há essa possibilidade ou o senador pretende continuar no PT?
Paim: O debate que fiz é um debate que todo país respeita, e mesmo os dirigentes do PT fazem, nós chamamos de um auto crítica. Temos que fazer uma auto crítica, porque se permitimos que setores conservadores chegassem onde chegaram , e já estão mandando no país, a presidenta está afastada não está consolidada ainda, mas está afastada, é porque cometemos alguns erros. Primeiro fazer um auto crítica, onde erramos, onde pecamos, e porque que isso aconteceu. E tenho levantado inclusive, uma série de questões. Levantei tudo isso, fizemos um debate sobre a minha posição forte, e depois no dia 11 de janeiro, fizemos uma grande reunião em Porto Alegre, onde o Olívio Dutra disse, ao longo do debate emocionado, usou o seguinte termo: Paim, se os melhores saírem, de qualquer partido, em nome que defendem a democracia, só vai ficar os corruptos, a escória, por isso que você não deve sair, e queremos contar com você para ajudar a reescrever, se for preciso, a história do nosso partido, e construirmos juntos, um partido que volte a suas origens e defendendo os interesses do nosso povo e de toda nossa gente
Pergunta: O que o senhor pensa da reforma da previdência, proposta pelo presidente interino Michel Temer?
Paim: O presidente interino, Michel Temer, desde que assumiu, alguns me dizem que faz três meses, mas faz 13 anos que já estão (PMDB) no governo. O partido dele faz três anos que está no governo. Ocupando a maioria dos ministérios e sempre com a vice presidência. Que já fo presidente no passado, com Sarney (José Sarney), com Itamar (Itamar Franco) e agora presidente com o Temer. O que eles fizeram de bom? Eles dizem “ah, mas em três meses”. Então me diga o que eles fizeram de bom nesses três meses? Eu não sei de nada.A recessão continua, o desemprego aumenta, as empresas falindo. desmonte na educação, desmonte na previdência, desmonte no direito dos trabalhadores.
