Sebastião Melo responde às perguntas do Correio do Povo
Sebastião Melo, candidato à prefeito pelo PMDB e vice-prefeito licenciado, tem 58 anos, nasceu em Piracanjuba, interior de Goiás, e se mudou para Porto Alegre no final dos anos 70. Antes da graduação, e de se interessar pela política, trabalhou em lancherias, lojas de material de construção e na Ceasa. Foi durante o curso de Direito na Unisinos que começou a se envolver com os pleitos da OAB sobre a redemocratização do país e com a política partidária. Antes de ser vice-prefeito, foi três vezes vereador e presidiu duas vezes a Câmara Municipal. Sua vice é a deputada estadual Juliana Brizola (PDT) e sua coligação, a Abraçando Porto Alegre, reúne PMDB, PDT, PHS, PROS, PTN, PRTB, PRB, PSDC, PPS, PSB, PSD, DEM, Rede e PEN. Busca o voto dos que, no primeiro turno, escolheram candidatos de esquerda e faz campanha para reverter brancos e nulos.
Os candidatos à Prefeitura de Porto Alegre, Nelson Marchezan Jr. e Sebastião Melo foram sabatinados pelo Correio do Povo após o debate promovido pela Rádio Guaíba no último dia 20. Os dois responderam às mesmas perguntas, transcritas abaixo:
Correio do Povo: Se aprovada a PEC 241, qual o peso para os projetos de saúde e educação de Porto Alegre?
Sebastião Melo: As finanças públicas precisam ter equilíbrio. O desequilíbrio levou ao estado de hoje. O gestor tem que dar prioridades: Educação, Segurança e Saúde têm que ter uma caneta maior. Trabalharei para que o governo federal aporte recursos. Os recursos são produzidos aqui, vão de jato para Brasília e voltam de Fusquinha. É importante também que o gestor saiba que existem áreas mais necessárias que outras e nessas têm que haver alocação de recursos.
CP: Na sua administração, qual a importância dos servidores e dos CCs?
Sebastião Melo: Uma boa gestão começa com uma boa relação com os servidores. Terei uma boa relação, como já tenho hoje. Alguns secretários do município podem ser servidores. Vou diminuir os CCs porque estamos vivendo tempos difíceis na prefeitura. Diminuirei o tamanho do governo no mínimo em 30%.
CP: Como prefeito, como será a cobrança das medidas de segurança para Porto Alegre junto aos governos estadual e federal?
Sebastião Melo: Cooperação e integração. Não vamos deixar de fazer nada que esteja sob a nossa responsabilidade. Contratar mais guardas municipais, cercamento eletrônico, melhorar a iluminação, criança na escola, espaço público bem cuidado. Isto a prefeitura já faz e tem que melhorar. Nomearei 100 guardas municipais em 1º de janeiro. Vou ligar para o Sartori: “Governador, estou vindo aqui para conversar sobre a Segurança. Sei das dificuldades do Estado, sou parceiro da gestão, mas precisamos nomear mais servidores da segurança para Porto Alegre. Não é justo tirar de onde já não tem”. Pretendo fazer um convênio “guarda-chuva” para poder pagar horas-extras para brigadianos e guardas municipais nos limites orçamentários. Terei que buscar dinheiro em Brasília, com empresários e colocar num fundo que abastecerá a segurança.
CP: Quais suas metas para o transporte coletivo de Porto Alegre?
Sebastião Melo: Mobilidade urbana é maior que simplesmente o transporte coletivo. Precisamos implantar BRTs, os aplicativos são bem-vindos, integrar o transporte coletivo do ponto de vista do bilhete único para facilitar a vida de quem trabalha e vive na Grande Porto Alegre. Terminar o estudo das linhas do catamarã para o centro-sul e extremo sul, implantar o catamarã na Ilha da Pintada, táxis acessíveis, que estão em fase de licitação e serão implementados no próximo governo. Precisamos estudar e refundar a engenharia de tráfego: quero abrir o corredor da 3ª perimetral a lotações, táxis e transporte escolar. Se der certo, podemos pensar em outros.
CP: A crise econômica afeta também a cultura. Como explorar o potencial histórico e artístico de Porto Alegre?
Sebastião Melo: Precisamos manter as conquistas da cultura. Trabalhar sua descentralização é muito importante porque é fator de inclusão social. Penso numa escola aberta, em que os talentos que vamos potencializar possam ter continuidade. O carnaval é muito pujante, tem uma cadeia produtiva anualmente. Pretendo buscar uma PPP para o Porto Seco. Reformar a Usina do Gasômetro é muito importante, o teatro Túlio Piva, que vive uma fase de reforma. Pretendo abastecer o Fumproarte. Farei isto com muito diálogo com a classe. Os artistas de rua têm papel muito importante, eles não precisam de autorização para funcionar no Brique, na Rua da Praia, nos parques. Quero analisar a possibilidade de transformar o Harmonia em um parque temático, cultural, uma discussão que vem de anos dentro do Acampamento Farroupilha. Mas tem duas premissas: jamais permitirei que o parque seja privatizado ou autorizarei se tiver que colocar dinheiro público.

