A vida em meio às tarifas

Investigação americana avalia até dia 15 aplicação de novas taxas ao Brasil

O noticiário mais recente sobre as tarifas aplicadas aos produtos do Brasil vendidos para os Estados Unidos vem desde 2025, desde quando o governo americano decidiu sobretaxar em 25% o aço e o alumínio comprados de vários países com os quais tem relações comerciais. A intenção era proteger a indústria de lá. E mais recentemente ainda, a investigação feita pelo Escritório do Comércio americano avalia 25% para diversos produtos negociados com o Brasil, que teria sido “desleal” por causa do Pix. O meio de pagamento estaria tirando espaço das operadoras de cartões de crédito dos Estados Unidos. O governo americano analisa o cenário por meio de sua legislação de comércio e da seção 301 da lei. Pois bem. Depois de audiências em Washington com a presença de empresários americanos que rejeitam a ideia de taxar o Brasil por precisarem de produtos nossos para fabricar ou vender seus itens sem precisar pagar mais por isso, a expectativa agora é pelo parecer que irá para a Casa Branca até dia 15.

No mundo todo blocos econômicos se formam justamente para poder reduzir taxas. Na União Europeia (UE), com 27 países, a integração comercial libera os membros de pagar tarifas de importação e exportação e as mercadorias circulam livremente dentro dessa zona. E lá se vão mais de 30 anos desde que deram início oficial a esse mercado que movimenta 23 trilhões de dólares em Produto Interno Bruto (PIB), o que corresponde a mais de R$ 110 trilhões.

PIB, lembrando, é toda a riqueza produzida por um país, e blocos de países ampliam riquezas. Economia sólida e dinheiro circulando, estão satisfeitos na UE, certo? Possivelmente, mas para multiplicar divisas se uniram a outros blocos, como é o caso do Mercosul. Por aqui os fundadores Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai abriram o leque negociando do outro lado do mundo. Fácil não foi porque o tratado levou 20 anos até se consolidar e os agricultores de lá, sobretudo os da França, não querem concorrência com seus produtos. Sem falar no Tribunal da UE onde tramita ação que discute a validade do acordo, mas bem ou mal ele está de pé. E aqui na América do Sul nosso bloco já negociou ou negocia tratados com ao menos outros oito mercados. Na mesma energia, a UE fez parceria com o Reino Unido em 2021, no pós Brexit, além de pactos com México e Chile.

NA PRÁTICA

  • Pensando não só na seção 301 que aponta práticas “desleais” do Brasil, a decisão da Suprema Corte americana revogou as tarifas aplicadas pela Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, o que deixou livres de tarifas 1.488 itens brasileiros. Antes eram 382. Ainda assim, há tarifas adicionais de 10% e de até 50% na Seção 232, outra lei americana que possibilita o tarifaço para produtos que “ameaçam” a segurança nacional.
  • “Caso sejam implementadas, as sobretaxas poderão comprometer ainda mais as trocas entre Brasil e EUA”, disse o presidente da Câmara Americana de Comércio, Abrão Neto, durante essa semana de audiências em Washington. O comércio entre Brasil e EUA somou 36,4 bilhões de dólares no primeiro semestre, queda de 12,8% ante igual período de 2025. Resumindo, difícil para os dois lados.