Os planos de vida nova fervilham na cabeça na primeira semana do ano. E quando o assunto é se organizar com as finanças, então, o desafio se amplia. Mais do que conseguir levar o orçamento certinho até o fim do mês, a chegada de um novo ano pode ser um incentivo para adotar o hábito de guardar dinheiro. Sempre lembro do Adriano Severo, analista de investimentos e planejador financeiro. Para quem ainda não conseguiu abraçar o hábito de separar parte dos ganhos, ele aconselha a começar pela aplicação mais simples que é a poupança. Pode até não ser o investimento mais rentável, conforme lembra o especialista, mas a poupança ainda é um meio bastante “didático” no sentido de levar as pessoas a equilibrar melhor o que recebem no começo do mês e o que gastam. E se a ideia é mesmo começar 2025 se propondo a gerenciar os recursos, quanto separar para deixar na caderneta?
“Não é preciso estipular percentual ou valor”, enfatiza Adriano. Pensar de forma muito engessada em guardar uma quantia todo mês pode trazer decepção. Imagine ter R$ 3 mil de ganho mensal, prever poupar 10%, ou R$ 300, e lá pelo meio do ano não conseguir? É claro que alguma faixa de valor será preciso ter em mente, mas isso pode ser feito de modo gradual, aos poucos, o que reduz a pressão sobre as promessas de Ano-Novo.
NA PRÁTICA
Diante dos boletos e com o mês todo pela frente para gerenciar, é difícil definir quanto guardar. Por isso Adriano Severo traz uma dica para quem ainda não faz o exercício de poupar e que pode ajudar na adoção do hábito de uma vez por todas: o desafio das 52 semanas.
O poupador deve se dispor a guardar R$ 1. Sim, isso mesmo, uma simples moeda. Na segunda semana serão guardados R$ 2, na terceira, R$ 3, na quarta semana, R$ 4, e assim por diante, até chegar a R$ 52 na 52ª semana do ano, a última.
O total no fim do processo, sem considerar o rendimento da aplicação, resultaria em R$ 1.378, mas a quantia será maior porque há a remuneração da caderneta que hoje é de cerca de 6% ao ano. Neste caso, o valor chegaria a R$ 1.460,68.
Atualmente, se o rendimento da poupança de 6% ao ano não é exatamente uma maravilha, esse índice ainda ganha da inflação. Hoje o IPCA, indicador oficial de preços, mostra uma taxa de 4,87%, conforme os últimos dados do IBGE. Cálculos feitos, ano iniciando, só falta um detalhe: o primeiro passo.
