Autossuficiência como saída

Crise mundial de combustíveis pede novos planos para refino do diesel

A guerra no Oriente Médio fez uma bela bagunça no mercado financeiro. Preços vão e vêm não só no petróleo, riqueza daquela região. A cotação do barril em Londres alcançou 105,07 dólares na quinta, alta de 3,1%, embora tenha reduzido um pouco nesta sexta, para 99 dólares. Oscilam também o câmbio e as ações das empresas nas bolsas mundo afora. E no meio do sobe e desce há um desafio em especial. O diesel, derivado do petróleo, deu alguns sustos em municípios gaúchos. Surgiram dificuldades para abastecer ônibus escolares, máquinas usadas em obras e até o transporte coletivo, conforme levantamentos da Famurs.

Na sexta, dia 17, o valor do petróleo até havia mostrado redução, na faixa dos 90 dólares, e os preços de algum modo se acomodavam nos postos, conforme levantamentos de preços da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Pois a semana seguinte iniciou e o barril começou a subir de novo em meio àquela confusão do “fecha, não fecha” o Estreito de Ormuz, que permanecia bloqueado. Pelo local passam 20% da produção de petróleo. Solução para sair dessa gangorra? Autossuficiência, ou seja, produzir diesel por aqui mesmo e não depender da compra no exterior quando uma guerra estoura e tudo fica mais lento e caro.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, deu entrevista recente prevendo a autossuficiência em diesel dentro de cinco anos. Esse objetivo vem sendo trabalhado em todas as refinarias da empresa, segundo ela. Inicialmente o plano de negócios da estatal previa 80% de capacidade de produção própria, mas a intenção é melhorar os índices. O conflito no Irã de algum modo antecipou esses planos, e ainda no início de abril, em quatro refinarias no estado de São Paulo foram providenciadas adaptações nas plantas para reduzir a produção de óleo usado em fornos, caldeiras e motores de turbinas de termelétricas para priorizar a entrega de diesel.

“É o combustível mote do desenvolvimento nacional. A gente aumentando diesel, a gasolina vem junto, os dois principais produtos da Petrobras”, afirmou a executiva dias atrás. O mais curioso é que o Brasil até é autossuficiente em petróleo. Ainda assim o diesel não chega à autossuficiência porque, embora tenhamos petróleo bruto para isso, a capacidade de refino ainda não é suficiente, o que impede de atender a toda a demanda necessária.

NA PRÁTICA

  • No levantamento da Agência Nacional do Petróleo, o preço do diesel caiu 1,1% nos postos de combustíveis na semana de 12 a 18 de abril, dado mais recente. O recuo de mais de 1% resultou em preço médio de R$ 7,49 o litro. Essa baixa vem após medidas do governo para frear o encarecimento do produto, entre estas, subvenções para produtores e importadores e redução no PIS/Cofins.
  • Em meio à guerra no Oriente Médio, região do petróleo, países do mundo todo que não têm autossuficiência em diesel tiveram que tomar medidas rápidas para evitar escassez, assim como foi feito no Brasil. Entretanto, para consolidar o aumento de capacidade de refino por aqui teríamos ainda uns cinco anos pela frente. Em um mundo onde a guerra vai virando cena comum, a redução desse prazo vai se tornando quase que obrigatória.