Economia Simples

'Banho de produtividade'

Crescem expectativas com vigência do acordo Mercosul-UE

A assinatura do acordo Mercosul-União Europeia (UE), tão esperada para este sábado, dia 17, no Paraguai, traz alguma apreensão em razão da oposição de parte do bloco europeu. A aprovação do tratado já foi feita pela maioria dos 27 países da UE, mas sobretudo a França segue fazendo barulho, engordando protestos de agricultores preocupados com a competitividade de seus produtos. Sem contar a possibilidade de representantes do Parlamento europeu votarem nos próximos dias uma iniciativa para discutir o acordo na Justiça. Mas, de novo, o pacto foi aprovado pela maioria com a Alemanha liderando os favoráveis. E sobre estes fala-se menos diante da agitação dos contrários. Embora ainda faltem trâmites para que a parceria vigore de vez, analistas já projetam “banho de produtividade”. E o vice-presidente Geraldo Alckmin prevê a vigência para o segundo semestre.

A Alemanha, por exemplo, sofre há algum tempo com o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB). Lembrando que o PIB é a soma de tudo que um país produz: indústria, comércio, serviços e agricultura. Pois então, o PIB da Alemanha caiu 0,3% em 2023 e 0,2% em 2024. Em 2025 escapou por pouco da perda e avançou 0,25%. Esse desempenho tímido em uma economia sempre tão forte tem a ver com a guerra na Ucrânia, invadida pela Rússia em 2022.

Os alemães sentiram o baque quando recém construídos dutos que levariam petróleo e gás da Rússia à Alemanha foram destruídos. Uma das estruturas ainda ficou inteira, mas o fornecimento de gás russo foi bastante reduzido também em razão de represálias ligadas ao conflito, o que afeta a atividade da indústria germânica, que precisa de combustível para produzir e paga mais caro por isso sem o habitual fornecedor que cobrava barato. Em meio a uma crise, quanto mais opções a Alemanha tiver de exportar máquinas com tarifas reduzidas, melhor, o que faz com que o Mercosul seja um parceiro importante. Quem chama a atenção para as razões dos favoráveis ao acordo é o professor Hermógenes Saviani Filho, do Departamento de Economia e Relações Internacionais da Ufrgs. “Foram bilhões de euros perdidos ali (nos dutos destruídos)”, lembrou, enfatizando que o cenário de conflito faz com que defensores do pacto UE-Mercosul esperem pela entrada em vigor o mais rápido possível. As tarifas de 15% dos EUA aplicadas à UE também pesam.

NA PRÁTICA

O segmento de máquinas alemão tem tradição e qualidade, mas o desempenho econômico do país está afetado. A exportação para o Mercosul amplia possibilidades de incrementar essa atividade.

E quanto às vantagens no lado sul-americano, o gaúcho Oscar Berg, professor e doutorando em Ciência Política que mora no Canadá e atua na Universidade do Quebec, enfatiza: “Não é apenas sobre termos mais mercados para onde exportar e de onde comprar com menos barreiras. Como tem dito o antigo diretor-geral da Organização Mundial do Comércio Roberto Azevêdo, a aposta no multilateralismo aponta na direção de maior integração das nossas economias, e se houver aumento de investimentos europeus na América do Sul, novas indústrias poderão alcançar um banho de produtividade que elas tanto precisam para se manter competitivas”.

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