Câmbio e bolsas no radar

Não só agora, mas já em 2025 o dólar mostrava perdas significativas

Nesse início de ano só dá dólar no noticiário. A divisa dos Estados Unidos perdeu valor em meio a tantas sacudidas que sofreu com os tarifaços espalhados pelo mundo, aplicados também a produtos brasileiros vendidos aos americanos. Tudo isso fez com que por aqui o real ganhasse valor, assim como outras moedas. Enquanto em novembro de 2024 a cotação ia a R$ 6,30, nesta semana vimos o preço recuar para até R$ 5,15 durante as sessões de câmbio na Bolsa de Valores. Na quinta à noite, dia 12, fechou em R$ 5,20. Não só agora, mas já em 2025 o dólar tinha perdas significativas conforme mostrou o Dollar Index, um indexador criado pelo Federal Reserve (Fed), o “banco central” americano, que faz a comparação com outras seis moedas. Pois então, houve perdas também frente ao dólar do vizinho deles, o Canadá, o iene do Japão, o euro da União Europeia (UE, com 27 países), a coroa da Suécia, o franco da Suíça e a libra esterlina do Reino Unido, formado por Inglaterra, Irlanda do Norte, Escócia e País de Gales. Seis moedas, sim, mas circulando em 35 países se a gente pensar que só na UE são 27.

A essa altura algum leitor diria: “E daí se baixou ou subiu? Eu não viajo para o exterior e não compro coisas importadas caras”. Lembrando: soja e trigo, por exemplo, são matérias primas sujeitas às oscilações do mercado mundial. Portanto, o biscoito e o pãozinho do café da tarde e as farinhas para os bolos variam de preço ao sabor dessa dança cambial. Melhor que o dólar esteja baixando por aqui, mas ainda assim vem ficando acima dos R$ 5,00. Lá em 2024, quando passou dos R$ 6, outros fatores faziam pressão.

“O dólar se desvalorizou praticamente contra todas as moedas, e bastante. Fora isso a gente manteve as taxas de juros aqui no Brasil super altas”, relembra o economista Martin Kirsten. “E nosso diferencial de juros em relação aos Estados Unidos aumentou bastante. Então isso contribuiu também para que esse diferencial de juros atraísse capital para o Brasil, fora todo o movimento de grandes investidores, grandes fluxos que saíram do dólar e vieram para moedas emergentes, isso ajudou também e basicamente essa é a construção lógica que traz o dólar lá de R$ 6,30 em novembro de 2024 para R$ 5,18 agora, em fevereiro de 2026”, assinala o especialista.

NA PRÁTICA

  • A decisão americana de aplicar tarifas a países da China até o México e Brasil, entre outros, mexeram com o câmbio e com o mercado de ações pelo mundo. Essas iniciativas muitas vezes deixam o investidor apreensivo e ele procura outros mercados. Nessa busca por novos nichos de investimento entra o Brasil, e este seria um dos motivos para os recentes ganhos registrados também na Bolsa brasileira, a B3.
  • Só que a equação agora tem outros fatores. Um país com uma Selic a 15% ao ano interessa para o investidor de fora, já que essa taxa pode significar ganhos nas aplicações. Aqui dentro, no entanto, é preciso baixar a taxa para incentivar empresas a investir. Somado a tudo isso, teremos eleições, o que também mexe com o mercado. Muita volatilidade pela frente, sem dúvida.