Como anda a sua pegada?

Medir como nos comportamos diante do consumo influencia na saúde do planeta

Queima de gases no ar precisa ser reduzida porque leva ao efeito estufa
Queima de gases no ar precisa ser reduzida porque leva ao efeito estufa Foto : Marcelo Camargo / ABr / Divulgação CP

Você sabe como anda a sua pegada? Pergunto sobre a pegada ambiental, expressão popular nesses tempos de Conferência do Clima. A COP30, programada aqui no Brasil para novembro, no Pará, vai discutir, entre muitos outros pontos, como cuidamos do planeta. O tema da conferência da ONU é a mudança climática, que influencia muito as nossas vidas em meio às enxurradas, enchentes, calorão e frio extremo. Mas e a pegada nisso tudo? A expressão “pegada ambiental” faz referências às marcas, às “pegadas” que deixamos no planeta e à maneira como nos comportamos no consumo de alimentos, energia, combustível, eletrodomésticos, roupas, ações que podem controlar ou agravar as condições do clima, dependendo do que adotamos na nossa rotina.

Lembrei agora dos brechós que costumamos organizar entre colegas aqui na Redação. Trocamos roupas, bolsas e acessórios. Sim, também compramos artigos novos, mas o ato de reciclar é uma contribuição modesta para diminuir aqueles contêineres de lixo têxtil espalhados pelo mundo, às vezes com roupas “zero quilômetro” em razão de pequenos detalhes reprovados em testes de qualidade. Tudo que consumimos, nós, pessoas, e também as empresas, ditam como vai ficar o ambiente. Outro dia, saindo da musculação entrei no restaurante em frente e perguntei a um funcionário onde estava o “lixo seco” para que eu pudesse descartar a garrafinha de água mineral que havia bebido. “Não separamos o lixo”, disse ele.

A “pegada” que aquele restaurante deixou incomoda, mas felizmente esses estabelecimentos vão se tornando minoria, já que as empresas cada vez mais adotam práticas sustentáveis, ou seja, hábitos que buscam sustentar a vida do planeta. Pesquisa recente da Câmara Americana de Comércio, a Amcham Brasil, mostra que o índice de companhias onde já são implementadas iniciativas sustentáveis passou de 71% a 76%. Dito tudo isso, nós, pessoas físicas, também precisamos saber como estamos nos saindo e se as nossas práticas de consumo são responsáveis. Encontrei dicas ótimas de especialistas para quem quiser calcular sua “pegada”.

Na prática

  • Foi usando calculadoras de pegada ambiental que descobri que sou “amiga do planeta”. Difícil indicar uma, há várias, e por isso pedi ajuda ao grupo de pesquisa em Jornalismo Ambiental da Ufrgs, coordenado pela professora Ilza Girardi. O site https://www.footprintnetwork.org/ é a dica do dia.
  • Vale a pena tirar uns minutinhos e responder a questões como separação do lixo, uso de carro ou ônibus, compras de roupas, viagens de avião, uso de energia e combustível. A utilidade? Temos no final uma “nota” e um “retrato” de nós mesmos.
  • “É uma iniciativa que promove inquietações sobre nosso modo de vida e quais seriam as mudanças possíveis”, observa a jornalista e professora da Ufrgs Eloisa Beling Loose, pesquisadora com doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento.
  • No final do questionário vamos conhecer nossa “pegada”. A bicicleta, por exemplo, reduz a queima de combustível e conta pontos positivos, mas também há opções como adotar caronas para quem precisa do carro. Cada item da calculadora pode ser um aprendizado e, quem sabe, um convite a mudar de vida.