Conflito ‘guerra x mercado’

'Dança' no preço petróleo bagunça as expectativas do investidor

Seguidamente recebemos por aqui dicas sobre Poupança, CDB, Títulos do Tesouro e Bolsa, entre outras. Agora, especialmente, tanto para quem está começando quanto para quem já se aventura na arte de investir, esses tempos de guerra no Oriente Médio e de dança de preços do petróleo e dos combustíveis bagunçam tudo, principalmente o mercado financeiro. E para quem está mais distante desse universo há algumas informações a relembrar. Opções como Poupança, CDB e Títulos do Tesouro, por exemplo, têm remuneração já determinada. Ao fim de um mês ou um trimestre é possível saber quanto por cento aquele dinheiro aplicado vai render. Por isso essas modalidades estão dentro da chamada “renda fixa”, porque tudo já está fixado. Mas se a ideia for comprar ações na Bolsa, por exemplo, a coisa muda de figura e recebe os efeitos do sobe e desce das cotações. Comprar ações que custam R$ 5 a unidade hoje podem custar R$ 5,10 amanhã e R$ 4,90 mais adiante. Por isso se denominam essas operações como “renda variável”. E bota variável nisso quando uma guerra ajuda a agitar os mercados. O conflito mexe com o preço do petróleo que mexe com o valor dos combustíveis que mexe com a inflação que mexe com as cotações das empresas que mexem com a vida de quem investiu nelas. Ufa.

Para quem estava voltando das férias ou da praia lá no final de fevereiro, as notícias pipocando sobre o conflito no Irã talvez tenham tirado o ânimo de quem tinha projetos de começar a investir em ações. Pois olha, estamos em junho e os planos vão esperar até quando? Falei com o Martin Kirsten, economista que atua em consultoria de investimentos. “A gente tem guerra hoje, eleições ali na frente, escândalos políticos sucessivamente no Brasil, então essas coisas mexem bastante com o mercado, e é bem diferente da lógica da renda fixa que vai acumulando um valor aos pouquinhos e tem rentabilidade garantida”, compara, sem deixar de observar, no entanto, que, se houver um perfil por aceitar mais risco nos negócios, é esse o motor que vai impulsionar quem está disposto a investir buscando novidades. Sim, para aplicar em renda variável precisa ter um perfil mais arrojado, mas há alternativas para conduzir a coisa toda com certa tranquilidade.

NA PRÁTICA

  • Martin Kirsten lembra que nos fundos de ações é possível comprar cotas numa corretora de valores. Um operador experiente no tema decide quais ações negociar com o dinheiro dos cotistas. Tem custo, tem taxa, mas minimiza receios com escolhas erradas.
  • E tem outra: aquela quantia já guardada na renda fixa pode ficar lá, porque para uma experiência na renda variável não precisa muito. “Está disponível para qualquer investidor, e o valor mínimo é uma fração, uma unidade de ação de determinada empresa”, exemplifica Martin, reiterando que o acesso é “bem democrático”.
  • E é mesmo, porque no espaço “Bora Investir” da B3 em https://borainvestir.b3.com.br há cursos gratuitos nos dois modos, nas rendas fixa e variável. Com guerra, sem guerra, com mercado financeiro nervoso ou não, aprender a cuidar do dinheiro nunca é demais.