Economia Simples

Criança também sabe poupar

Acompanhamento da família auxilia na educação financeira

Aproveitando o momento de começo de ano, para quem tem filhos pequenos essa é a hora de exercitar a educação financeira. Com o verão bombando e as crianças em férias, os gastos ficam mais visíveis. Passeios e viagens geralmente têm custos mais altos, e esse pode ser um bom período para mostrar a importância de ter controle sobre o dinheiro. Além dos pais, a escola, logo, logo recomeçando o período letivo, também pode se tornar aliada na tarefa. “Ajudei a desenvolver em duas escolas a parte de educação financeira e eles acabaram implementando isso nas disciplinas, porque não é só cálculo ou matemática. Tem Direito do Consumidor, tem a questão psicológica. Há várias coisas”, relembra o educador financeiro Adriano Severo. O especialista, ao passar por essa experiência, percebeu que ensinar os pequenos sobre dinheiro não significa que o melhor caminho seja a escola criar uma disciplina específica. Os conteúdos podem passar por atividades como aula de matemática, contação de histórias e assim por diante.

Em família, Severo conta sua própria experiência de pai de um menino de 6 anos e de uma bebê de 10 meses. Com o mais velho ele já exercita o uso da mesada. Para as faixas de 6 a 8 anos, explica, o melhor é adotar a “semanada”, e dos 9 aos 11 a “quinzenada”. A partir dos 12, então, se recomenda a mesada. “Para uma criança de 6 anos, entender a dimensão de um mês é muito tempo”, enfatiza. Severo adotou um valor de R$ 20 por semana para o filho, mas cada família deve fazer seu cálculo conforme a disponibilidade.

O objetivo da mesada, explica o especialista, é sobretudo fazer a criança perceber que o dinheiro precisa ser economizado quando se busca um objetivo. Além disso, um valor ganho a cada período faz com que a criança exercite cálculos de soma e multiplicação: “Quanto custa isso e quanto você recebe de mesada? Então vamos juntar até você ter o dinheiro para adquirir”. Esse é o recado que Severo deixa para o filho, lembrando que a prática pode ser adotada quando a criança deseja um brinquedo, por exemplo. Itens como roupas ou material escolar, lembra o especialista, devem continuar sob responsabilidade dos pais. Brinquedos, neste caso, funcionam como incentivo para os pequenos aprenderem a alcançar uma meta, tornando a tarefa mais lúdica.

NA PRÁTICA

A quantia que a criança vai receber depende do que os pais podem oferecer. Que sejam R$ 5, R$ 10 a cada período definido pela família, importante é lembrar o valor do dinheiro.

Explicar à criança de onde vem o dinheiro é um caminho para torná-la mais responsável e atenta às questões financeiras.

É preciso mostrar que o uso do dinheiro sempre exigirá escolhas, já que não se pode comprar tudo. Nessa etapa o “porquinho” vira aliado. Ao adotar um cofrinho, a criança já inicia um conhecimento sobre finanças.

Adriano Severo lembra que essas práticas podem organizar vidas no futuro: “É preciso ajudá-los a montar uma meta para ir guardando até conseguir, e mostrar que, se gastar, demora mais tempo”.

Mais Lidas