A inadimplência vem batendo recordes, o endividamento das famílias e das empresas cresce e notícias sobre recuperação judicial de empresas ganham força. No caso das Casas Bahia, uma das justificativas no comunicado foi o juro alto. A varejista destacou no texto “forte deterioração de condições econômico-financeiras agravada por juros elevados e restrição de crédito”. Pois olha, a gente até tenta sair do assunto “juro” e trazer outros temas aqui, mas o juro é que não sai do radar. Que jeito...
O economista Martin Kirsten fez uma análise sobre uma possível crise de crédito no país, ou seja, bancos se retraindo cada vez mais na hora de conceder empréstimos ou outros financiamentos. Com a inadimplência aumentando, afinal de contas, o medo de levar calote também aumenta.
E sobre isso, relatórios recentes de instituições financeiras como o BTG Pactual citaram juros reais de longo prazo perto de 8%, o que é alto, e endividamento das famílias em nível recorde, entre outros pontos. E sobre as famílias que acumulam dívidas, quando a necessidade de crédito se estabelece e esse crédito sai caro, o resultado é o que se vê no recente levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas em parceria com o SPC Brasil. Havia 75 milhões de pessoas com as contas atrasadas em julho, o que significa 44% da população adulta do país.
“Com juros altos há bastante tempo e endividamento privado elevado, o temor de uma crise de crédito aumentou”, reitera Kirsten. Analistas chegaram a comparar esses acontecimentos com os de 2015-2016, período de crise econômica vivido pelo país, mas o economista traz dados do relatório do BTG para lembrar que os cenários são diferentes hoje. “Os bancos públicos respondiam por cerca de 60% do crédito total e por mais de 80% das novas concessões”, assinala. “Entre 2008 e 2015 os bancos públicos expandiram o crédito ano após ano enquanto os privados desaceleravam. Esse descompasso ajudou a inflar o ciclo que estourou em 2015”, observa.
Kirsten salienta ainda que os bancos públicos perderam protagonismo. Atualmente os bancos digitais ganham espaço nas operações de empréstimo e de cartão de crédito para os clientes. Por essa razão, o risco de um aperto sistêmico como o de dez anos antes seria menor, ou ao menos diferente. Os produtos e serviços estão mais pulverizados.
