"Atenção, aposentado. A restituição dos seus débitos indevidos no benefício do INSS está disponível. Disque 2 para falar com nossos atendentes", diz uma gravação que não é e nunca foi do INSS ou da Previdência. Absolutamente falsa. Essa frase faz parte do golpe que vem sendo aplicado por meio de telefonemas a beneficiários que nunca tiveram descontos indevidos em seus pagamentos de aposentadoria ou pensão e que nunca pediram ressarcimento.
Mas e se a pessoa que recebe a ligação tivesse mesmo feito um pedido de devolução ao INSS, o verdadeiro? O risco de ser enganado seria grande. Não bastasse os golpistas se aproveitando daqueles descontos não autorizados nas aposentadorias, temos agora outro prato cheio para os criminosos, já que o período de declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) começará nesta segunda-feira.
De algumas semanas para cá se multiplicam mensagens falsas enviadas via WhatsApp a contribuintes em nome da Receita Federal. O texto enviado à vítima contém o nome completo dela e o CPF, e traz ainda um "alerta" de "pendência grave". Para resolver a tal "pendência", o golpista direciona a vítima para um link que vai cobrar uma "taxa" a ser transferida por pix para uma intermediadora de pagamentos que não se sabe qual é. Em comunicado, a Receita Federal reiterou que não pede nenhum tipo de pagamento por telefone, e-mail ou mensagem. É bom lembrar que documentos de arrecadação, Darfs, por exemplo, são gerados dentro do site da Receita Federal. Qualquer recado que chegue exigindo pagamentos, e ainda por cima “com urgência”, é falso. A Receita também lembra que a exigência de ações imediatas com prazos apertados, tipo “hoje”, para pagamento das tais pendências, ameaças de suspensão de CPF e de contas bancárias são sinais claros de armação grosseira. Mas nem sempre o sinal é claro para todos, e o analfabetismo digital ajuda os criminosos.
Números do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) mostram que tarefas via celular como comprar um par de tênis ou se inscrever em um evento preenchendo um formulário on-line não são exatamente fáceis para 40% dos alfabetizados proficientes. Esse grupo teve médio ou baixo desempenho digital, segundo a pesquisa do Inaf.
NA PRÁTICA
- E olha como é preocupante isso. O alfabetizado proficiente, diz o Inaf, é aquele que compreende textos complexos como contratos e interpreta gráficos. Se o desempenho desse público na Internet ainda é médio ou baixo, imagina aqueles com menos escolaridade.
- A média de anos de estudo das pessoas de 25 anos de idade ou mais no país é de 10 anos, segundo o IBGE. Isso significaria ensino fundamental, se considerarmos pré-escola e o período do primeiro ao nono ano. Essa turma que teve pouca oportunidade de estudar possivelmente fica mais vulnerável a golpes digitais.
- A saída? Buscar ajuda, aprender mais e mais sobre o mundo virtual e só usar sites oficiais. E, por fim, radicalizar mesmo. Nunca atender telefone desconhecido e nunca clicar em links vindos por mensagens.
