O bom desempenho econômico do Rio Grande do Sul em 2024, ano em que foi registrada uma enchente histórica responsável por praticamente paralisar a atividade produtiva, tem uma explicação no próprio desastre. Ao mesmo tempo que as chuvas causaram perdas, elas incentivaram a demanda e o repasse de recursos, impactando positivamente a economia. Nesta quinta-feira, o governo do RS divulgou que o PIB gaúcho cresceu no ano passado 4,9%, ficando acima dos 3,4% no país.
“Por um lado, realmente, muitas empresas ficaram paralisadas durante um certo período de tempo, mas houve uma grande injeção de recursos especialmente do governo federal na economia do Rio Grande do Sul, tanto na forma de atuação direta, de transferência de renda por parte do governo para as famílias, como também diversos financiamentos para empresas afetadas, com taxas de juros subsidiadas. Também houve de investimento público pesado para a recuperação de estradas”, explica o professor do Programa de Pós Graduação Profissional de Economia (PPECO) da UFRGS Mauricio Andrade Weiss.
Tudo o que foi mencionado por Weiss aumenta a atividade econômica. Ele lembra que o principal fator para a economia crescer é a demanda. E ela foi gerada por conta da necessidade de reconstrução de diversos setores.
“Antes da enchente, não estávamos em plena capacidade produtiva e com pleno emprego. Havia uma certa ociosidade e espaço para ampliar a produção. Então, com o aumento da demanda, houve uma retomada do crescimento, que foi puxado pelo processo de reconstrução das atividades econômicas. O comércio foi sendo retomado, assim como a demanda reprimida previamente. Esses condicionantes fizeram com que o crescimento do RS ficasse acima do que era esperado previamente, especialmente pela entrada de recursos do setor público no RS”, destaca Weiss.
Além da força dada pela demanda e pelos investimentos, o agronegócio também teve grande contribuição para o PIB do ano passado, pois apresentou elevação de 35%, já que a chuva não foi capaz de frear a alta de parte da produção, como a soja, que expandiu 43,8%, e o trigo, que avançou 41,2%.
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