Economia Simples

O fim do ano cobra com juros

Última reunião do ano sobre a taxa Selic está próxima

Basta dezembro começar e a sensação de ano já encerrado toma conta. Antigamente esse sentimento ganhava força lá pelo dia 15, é isso? E se a gente pensa na família, nos amigos, na nossa casa, no trabalho, nos estudos, nos projetos para 2026, de algum modo grande parte de tudo isso envolve planejamento e dinheiro. Falando nisso, o Comitê de Política Monetária do Banco Central vai se reunir na terça e na quarta-feira da semana que vem para decidir sobre a taxa de juros Selic pela última vez em 2025. Os analistas dizem que ela vai continuar cara. Sim, porque 15% ao ano, como está hoje, é caro. Para quem tem intenção de fazer um empréstimo e levar adiante algum plano de comprar carro, montar empresa ou qualquer outra ideia é preciso ter bastante atenção porque possivelmente o valor emprestado vai pelo menos dobrar ou triplicar, por menor que seja a quantidade de parcelas. Especialistas já se animam a prever que a economia vai ser movimentada pelo consumo no ano que vem, mas não por causa da compra de bens de grande valor, porque esses dependem de financiamento. Itens mais baratos, ao contrário, vão ser bem aproveitados.

O economista Gustavo Moraes, professor da Escola de Negócios da PUCRS, explica que, como o país vive um momento de desemprego em baixa, as famílias têm uma certa folga para fazer gastos que não exijam grandes investimentos. Com menos desempregados no país e uma renda certinha todo início de mês, Moraes aposta no aumento da venda de alimentos, artigos de higiene, roupas e calçados. “Vamos assistir a uma explosão para esses setores, não tenho dúvida”, avalia. “Mas isso não atinge bens duráveis como eletrodomésticos e eletrônicos, móveis, material de construção, automóveis, porque esses dependem de financiamento e a taxa de juros em dois dígitos limita”, reitera o professor.

Moraes lembra também que há entre as famílias brasileiras “um endividamento significativo”, e aquele dinheiro extra que entra nessa época com o 13° salário não vai somente para as compras. Dados mais recentes mostraram que as famílias com dívidas são quase 85% no RS, segundo a Fecomércio RS, e o grupo que já vem sobrevivendo com essas contas em atraso chega a 24,5%. Mais uma pendência para resolver antes de pensar em pegar dinheiro emprestado.

NA PRÁTICA

Se a gente pensar no contexto que mostra famílias já com dívidas e a dificuldade de fazer novos empréstimos, o melhor é segurar os planos e esperar que a Selic fique menor que os 15% ao ano atuais. O Boletim Focus do Banco Central prevê 12% até 2026 e 10,5% em 2027. Só em 2028 é que voltaríamos a um dígito: 9,5%.

E tem outra coisa. Esses percentuais são referências. Na hora de buscar empréstimo há outras cobranças. Exemplo? O site do Banco Central mostra uma lista de consignados com 40 bancos. Tem taxa de 20% ao ano, mas há também casos de 50%, 66% ao ano. Fácil perder o controle.

Em família até dá para segurar alguns planos, mas dentro de uma empresa, muitas vezes, crédito é a única forma de expandir os negócios. A solução, portanto, vai ter que aparecer.

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