O Banco Central (BC) tem ficado em evidência no noticiário nos últimos meses porque a taxa de juros, a Selic, vem aumentando. E é justamente o BC, por meio do Comitê de Política Monetária, que decide se o juro sobe ou cai, o que também interfere nos financiamentos que fazemos ou nas nossas compras a crédito. Se havia uma taxa menor na Selic até pouco tempo atrás e ela agora chega a 11,25%, isso pode mudar a rotina.
Se o banco te autoriza um crédito pessoal baseado numa Selic que era de 10,5% ao ano até quatro meses atrás, aquele empréstimo que estava nos teus planos possivelmente sairá mais caro agora. Mas para além de taxas, o Banco Central cuida do sistema financeiro do país.
Imagina se cada banco onde a gente pudesse abrir uma conta fizesse suas próprias regras, sem uma autoridade monetária para regular tudo isso? No site do BC, por exemplo, é possível saber a remuneração da poupança de acordo com o aniversário da tua caderneta, e isso é regra para todos os bancos. Mesmo que o teu banco te mostre isso no aplicativo, é do BC que vem essa informação.
A importância dos BCs se espalha pelo mundo. De tempos em tempos representantes de vários países se encontram em cúpulas para discutir sistemas de funcionamento. O economista e professor da Escola de Negócios da PUCRS Gustavo Moraes lembra que o primeiro Banco Central a ser criado foi o da Noruega. “Alguns países, notadamente europeus, tiveram uma criação precoce de bancos centrais, ao passo que os americanos, notadamente EUA, tiveram uma criação mais recente, sendo o Federal Reserve de 1913”, detalha.
“Nas sucessivas crises do século XIX e início do século XX, que resultavam na quebra de bancos e eventual perda de credibilidade do sistema financeiro, eram os banqueiros privados que socorriam as instituições. Cansados de executarem esse papel e também temendo que em algum momento não tivessem mais recursos capazes de resgatar instituições, os banqueiros americanos, liderados pelo J.P. Morgan, defenderam a criação de um Banco Central nos EUA, enfim aprovado em 1913”, assinala Moraes.
Na prática
- No Brasil do século XIX já havia consciência da necessidade de se criar o BC, mas até 1945 não havia uma organização para controle de oferta de moeda, e essas funções eram do Banco do Brasil. Em dezembro de 1964, a lei 4.595 criou o Banco Central do Brasil, que passou a funcionar em março de 1965.
- O Banco Central disciplina bancos, corretoras e consórcios sobre regras que precisam ser cumpridas em suas operações.
- Ter preços sob controle, dentro do limite de uma meta, é tarefa do BC. O último resultado do IBGE mostra 4,76% de inflação, acima do teto de 4,50%. Por isso o juro ainda deve subir.
