O PIB e suas andanças

Má notícia é a desaceleração, analisa economista

Agricultura foi um dos setores em destaque
Agricultura foi um dos setores em destaque Foto : Marcio Gomes de Souza / Embrapa / Divulgação / CP

As últimas notícias do Produto Interno Bruto (PIB) vêm rendendo desde que o IBGE divulgou seu último levantamento no início deste mês, e nesta semana saiu especificamente o PIB do Rio Grande do Sul, com os resultados elaborados pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE) em convênio com o IBGE. No Estado o avanço do crescimento econômico ficou em 3,3% no primeiro semestre deste ano frente aos primeiros seis meses de 2025. Neste mesmo comparativo o Brasil cresceu 1,9%, o que nos deixa em melhor situação frente ao cenário nacional. Entretanto, há outras comparações que mostram um quadro “mais tímido” em termos de desempenho. Lembrando: PIB significa toda a riqueza produzida por um país, por seus estados, seja nos serviços, comércio, indústria, pecuária ou agricultura.

De abril a junho a economia gaúcha cresceu 0,2% diante do intervalo anterior, entre janeiro e março deste ano, o que é menos que o índice de alta de 0,5% visto no resultado nacional. Olhando por setor, foi o agro gaúcho que se saiu melhor, porque o desempenho subiu 6,6% de um trimestre a outro, muito mais que os serviços com alta de 0,4% ou a indústria com apenas 0,2%. Outro detalhe é que no primeiro trimestre a indústria tinha crescido 0,9%, o que mostra perda de força. E os serviços praticamente ficaram na mesma. Foi o agro que mostrou recuperação, passando de uma queda de quase 10% de janeiro a março para a elevação de mais de 6% nesta última leitura.

Conversando sobre o PIB brasileiro divulgado uns dias antes do resultado gaúcho com o economista Gustavo Moraes, ele havia chamado a atenção para juros e outros fatores. Pois ontem o professor da Escola de Negócios da PUCRS fez mais considerações analisando o Rio Grande do Sul. “A má notícia talvez seja a desaceleração, se a gente pegar só o resultado do segundo trimestre. Esse crescimento de 0,2% no curto prazo (abril a junho) esteve abaixo daquele que foi registrado no Brasil (0,5%), que já não é uma maravilha. Então a gente tem aqui talvez a constatação de que os juros altos já estão fazendo efeito mais significativo na economia do Rio Grande do Sul do que na economia nacional, e o resultado do segundo trimestre talvez revele isso”, observou, assinalando ainda o índice de 0,2% específico da indústria apurado no período.

NA PRÁTICA

Moraes também faz referência aos serviços, já que o setor é o que mais contribui no desempenho do PIB, mas avançou apenas 0,4% na leitura trimestral do RS. Nos serviços, mesmo setor terciário onde está o comércio, segmentos de bens não duráveis, como alimentos ou vestuário, se destacam por não dependerem tanto de crédito para que o consumo ocorra. “Nos duráveis, que precisam de financiamento de longo prazo, a questão dos juros afeta”, ressalta.

Itens como equipamentos ou eletro dependem mais de crédito. E temos um terceiro e quarto trimestre para ainda mostrar retratos do PIB. Até lá a taxa de juros, hoje em 14% ao ano, será definida pelo BC, e a projeção é baixar pouco, a 13,75%, porque a inflação por aqui está perto do limite e do mesmo modo não está muito mansa no exterior. Mais do que nunca a equação vai precisar de equilíbrio até dezembro.

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