O risco da nota baixa

Economia mais forte do mundo vive momento de mudança em suas avaliações

Essa semana que termina sacudiu o mercado. Já na segunda-feira o dólar perdia valor diante de várias moedas pelo mundo em razão do rebaixamento da nota de crédito dos Estados Unidos. E para alguns talvez ainda seja estranha essa prática de dar nota. Moody's, Fitch e Standard & Poor's são três empresas nascidas nos Estados Unidos que fazem esse trabalho e medem as possibilidades de um país quanto à capacidade de pagar o que pega emprestado para investir e se desenvolver. Pois foi a Moody’s que recentemente reduziu a nota da economia mais forte do mundo e que sempre ganhava avaliação máxima.

Um país nesse patamar geralmente é um lugar considerado seguro em termos financeiros porque a nota alta mostra que tem “grau de investimento”. Não é à toa que os "treasuries", títulos da dívida do Tesouro americano, são vistos como uma das aplicações mais seguras do mundo. Dois motivos, entre outros pontos, para esse rebaixamento de agora, foram citados pela Moody's. O aumento da dívida dos Estados Unidos, hoje em 36 trilhões de dólares, é uma das razões. E os juros que vêm se mantendo no mesmo patamar e não baixam também contribuem para esse resultado de retrocesso.

Logo depois da notícia, a moeda americana se desvalorizou pelo mundo. Lembrando, o dólar é usado em uma infinidade de negócios, e a exportação é um dos muitos exemplos. Outra coisa. Naquele mesmo dia que os Estados Unidos tiraram "nota baixa", o Congresso americano avaliava um projeto tributário que provocou um racha entre os próprios partidários do presidente Donald Trump. Os republicanos não tinham um consenso sobre como votar a proposta, já que o texto pedia cortes de verbas sociais. Enquanto uns diziam sim, tem que cortar mesmo, outros puxavam o freio quanto ao aval para esses cortes. Para o ano que vem estão marcadas eleições legislativas, e o receio de perder a maioria de republicanos no Congresso faz com que as opiniões se dividam. Mas e o Brasil com isso? Por aqui as avaliações da Moody’s mostram que estamos perto, mas não entramos ainda no chamado grau de investimento.

Na prática

  • A classificação do Brasil pela Moody's é "Ba1", considerada de risco médio a especulativo, mas com perspectivas positivas. Os dados mais recentes são de 2024. Quando a Moody's elevou a nota do Brasil de Ba2 para Ba1, isso significou que o país ficou mais perto do "grau de investimento". Em uma avaliação feita por outra agência, a Fitch, o Brasil está duas categorias abaixo do grau de investimento, ou seja, “grau especulativo”.
  • “Pouco modifica no curto prazo para o Brasil. O rebaixamento da nota de crédito dos EUA já estava consagrado em outras duas grandes agências de rating, sendo a Moodys a última a reconhecer a situação. A elevada dívida pública americana, déficits governamentais e ausência de consenso mínimo sobre agendas políticas, ao natural, levam ao rebaixamento da nota”, avalia Gustavo Moraes, economista e professor da Escola de Negócios da PUCRS. A médio e longo prazo, contudo, cita o enfraquecimento do dólar como reserva de valor e perdas ante o euro e outras moedas.
  • O economista alerta, de qualquer modo, que em qualquer país o endividamento alto e déficits governamentais acima da capacidade não constroem uma economia forte, nem mesmo sendo a norte americana.