Economia Simples

Poupar ou comprar títulos?

O melhor é que quantias a investir podem ser pequenas. Tesouro tem várias opções

Ao escolher uma aplicação, é importante avaliar prós e contras
Ao escolher uma aplicação, é importante avaliar prós e contras Foto : Marcello Casal Jr / Agência Brasil / CP

Adotar mais disciplina com os gastos e aprender a guardar algum dinheiro na poupança aproveitando o entusiasmo de início de ano foi o assunto abordado aqui na coluna na semana anterior. Pois a ideia agora é seguir com o baile, trazendo outras dicas que sejam simples e que não precisem de grandes recursos. Tem umas moedas aí? Então já pode começar a investir em títulos do Tesouro. Até dois meses atrás, mais precisamente até 18 de novembro, era preciso separar ao menos R$ 30,00 para começar a aplicar, por exemplo, no Tesouro Direto. Hoje em dia, qualquer quantia serve nessa modalidade.

Dentro das aplicações do Tesouro há alguns tipos de títulos. O Tesouro Selic é um deles, balizado pela taxa Selic, hoje em 12,25% ao ano. Na hipótese de se aplicar R$ 1 mil, o rendimento no fim de um ano seria de R$ 1.122,50 se considerado o índice atual. Ainda sobre essa modalidade, é possível investir, digamos, no Tesouro Selic 2027, mas é preciso estar disposto a deixar o dinheiro lá por dois anos. Para quem puder fazer isso, a remuneração é o percentual atual da Selic com uma taxa adicional. Algumas corretoras citam até 15% nesse período de dois anos de investimento.

Já no Tesouro IPCA+ a remuneração é feita com base no indicador oficial de preços do país, o IPCA, pesquisado pelo IBGE. Essa modalidade é indicada para quem busca corrigir o dinheiro no percentual que a inflação engoliu e mais um pouco, e por isso se chama IPCA+, ou seja, permite ganhos “a mais” em relação à inflação. Enquanto o último dado disponível da inflação do IPCA aponta 4,87% em um intervalo de 12 meses, algumas corretoras de valores assinalam ganhos de até 12% ao final de um ano. Um novo dado de inflação, o de dezembro, vai ser divulgado hoje pelo IBGE.

Embora os títulos públicos possam ter melhor rentabilidade se comparados à poupança, é preciso considerar que nos títulos são cobradas taxas. Já na caderneta o rendimento em um ano é de aproximadamente 8%, mas esse índice também ganha da inflação e a preocupação com despesas e taxas é “zero”.

NA PRÁTICA

É importante sempre avaliar prós e contras nos investimentos. Na poupança não há taxas para pagar, mas se o banco quebrar, o poupador tem garantia do dinheiro de volta até certo limite. Já com títulos como os do Tesouro não há teto porque o investidor, quando aplica, “empresta” dinheiro ao governo e a devolução do recurso em qualquer quantia é uma regra. Em https://www.tesourodireto.com.br/titulos/ há mais detalhes.

“A poupança tem proteção igual a CDB, LCA ou LCI, de até R$ 250 mil”, detalha Adriano Severo, analista de investimentos da Severo Capital que já nos socorreu aqui com outras dicas.

LCA e LCI são letras de crédito e CDB é um certificado de depósito bancário. Todas elas são aplicações de renda fixa, assim como poupança e Tesouro. Já na renda variável entram negócios como ações e fundos.

Nenhuma crítica à renda variável, mas para quem é iniciante a renda fixa pode ser mais simples, seja poupança ou títulos. De todo modo, explorar cada cantinho do aplicativo do banco ou trocar uma ideia com o gerente pode ajudar na hora de decidir. Importante é ter em mente que não é preciso “uma fortuna” para começar a investir. Outra coisa: dinheiro parado ou mal gasto nunca é vantagem.

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