A baixa produtividade do Rio Grande do Sul tem sido apontada como um gargalo para o crescimento da economia gaúcha. Mas o que isso significa? Conversei com o professor de Economia da PUCRS Adalmir Marquetti, que é um estudioso do tema, e ele confirmou que o resultado da divisão entre o valor obtido com a produção de bens e serviços no Estado e o número de trabalhadores está avançado em ritmo muito lento nos últimos anos. Em outras palavras, produz-se pouco em relação à quantidade de pessoas atuando.
Existem algumas maneiras para medir a produtividade e a mais usada é fazer a razão entre o PIB e a mão de obra disponível. Em outras palavras, esse indicador mostra quanto cada pessoa ocupada contribui, em média, para a riqueza. No caso do RS, em 20 anos, entre 2004 e 2024, esse valor passou de R$ 40,1 mil para R$ 46,3 mil (ajustado à inflação, com base nos valores de 2010). Já o Brasil foi de R$ 38,5 mil em 2004 para R$ 44,51 mil duas décadas depois. A trajetória, ao longo dos anos, foi muito parecida (veja no gráfico), com crescimento de 0,72% ao ano nos dois casos.
“A produtividade do trabalho no Rio Grande do Sul é ligeiramente superior à brasileira. Contudo, do mesmo modo que o Brasil, a produtividade do trabalho está estagnada desde o início da década passada”, afirmou o professor. O fato de o RS andar em uma velocidade semelhante à brasileira não é algo positivo.
“Esse número nos diz, primeiro, que o desempenho da economia brasileira é ruim. Segundo, que a economia gaúcha acompanha a economia brasileira. Não há uma crise específica do RS em comparação ao Brasil olhando para esse dado. O desempenho é sofrível tanto do Brasil como do RS”, explicou Adalmir Marquetti.
Em 1970, um trabalhador no Brasil produzia, em média, 30% do que produzia um trabalhador nos EUA, por exemplo. Essa diferença deveria reduzir, mas cresceu. Hoje um brasileiro produz aproximadamente 22% do que produz um americano.
Nos dados apurados por Marquetti, houve sim aumentos da produtividade nacional e regional, principalmente na década de 2000. Depois disso, os movimentos foram cíclicos, definiu o professor. “Na verdade, dá para dizer que houve aumentos da produtividade do trabalho até 2012 e 2013. A crise econômica e política teve um enorme efeito na taxa de investimento produtivo”, descreveu.
Como aumentar a produtividade
Um dos grandes fatores para elevar a produtividade é o investimento em logística e infraestrutura. Quando um mercado dispõe de estradas, hidrovias e aeroportos para fazer chegar os insumos e escoar a produção, o índice aumenta. O mesmo acontece com a oferta de máquinas, equipamentos e recursos intelectuais para fazer o trabalhador produzir mais em menos tempo. Marquetti analisa ainda que a economia local precisa gerar empregos em setores que, na média, apresentam maior produtividade, como a indústria.
Os segmentos e o governo do Estado têm tratado desse assunto como um desafio importante a ser superado, porque quanto maior a produtividade, maior tende a ser a geração de riqueza, os salários e a capacidade de investimento, o que impulsiona o desenvolvimento econômico e social.
