Preço de combustível subindo e alimentos encarecendo. Neste último caso, custos mais altos de produção ou escassez de itens ditam o valor para o consumidor. De 2020, período da pandemia, até aqui, discussões sobre poder de compra seguem em evidência e a comida ganha destaque toda vez que o valor dispara. Do final do ano passado para cá institutos de pesquisa até verificaram desaceleração da inflação no Brasil e no exterior, mas o fato é que alguns alimentos seguem nas alturas.
Café, por exemplo. Ironicamente o Brasil é um produtor gigante, mas o preço segue em escalada. Razões ligadas ao clima, como temperaturas exageradamente altas na época na floração, são algumas explicações vistas no noticiário. Outro vilão dos aumentos? O ovo. Nos Estados Unidos um surto de gripe aviária levou ao abate de 150 milhões de aves desde 2022 e o produto ficou escasso no mercado de lá. Igualmente, no Brasil, o preço do ovo ganhou força, mas não por causa de gripe aviária. Por aqui as notícias destacam menor produção em razão das ondas de calor, já que as galinhas, segundo especialistas, ficam estressadas e põem menos ovos em temperaturas acima de 28 graus. Menor quantidade, maior procura, maior preço.
Apesar dos episódios de produtos caros aqui e ali, a inflação oficial brasileira desacelerou em janeiro de 4,83% para 4,56% no acumulado de 12 meses. Entretanto, esse é um cômputo geral. Se a intenção é esmiuçar os preços de cada um dos alimentos, entre os muitos indicadores disponíveis, os que detalham itens da cesta básica, por exemplo, mostram pontos importantes. A gôndola do supermercado é um belo indicativo, mas poder verificar o que teve elevação ou queda numa lista organizadinha é bem útil. Por mais que tenhamos o hábito de observar os preços nas compras do dia a dia, não custa dar uma olhada nas tabelas que os órgãos de estatística publicam. Se aquele legume que geralmente não prestamos atenção e não consumimos ficou mais barato, por que não aproveitar? Os dados estão aí para isso. Uma sugestão? Podemos começar pelas informações oficiais, as do IBGE.
NA PRÁTICA
No último Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado pelo IBGE recentemente, nos dados relativos a janeiro, a cenoura subiu 36,14% e o tomate ficou 20,27% mais caro. Na contramão, a batata ficou 9% mais barata. O IPCA é o indicador oficial da inflação. Dá uma olhada em https://abre.ai/l9v1. Os números de fevereiro vão sair em 12 de março.
Também no dia 12 de março o IBGE vai divulgar o INPC. Enquanto no IPCA são pesquisadas famílias que ganham de 1 a 40 salários mínimos, no INPC o universo é de até cinco pisos e retrata os preços em um grupo com renda mais limitada.
No Dieese a cesta básica de janeiro nos mostra que o reajuste do café teve até 23% de alta no país. E o pão francês para acompanhar esse café? Pois justamente em Porto Alegre a elevação do preço foi a maior de 17 capitais, chegando a 9,09% em 12 meses.
A menor oferta de trigo nacional e a importação de mais quantidades puxaram o preço do pão. O dólar a quase R$ 6 também engordou a conta. Em https://www.dieese.org.br/analisecestabasica/2025/202501cestabasica.pdf é possível matar toda a curiosidade. E no dia 10 de março, fique atento, teremos dados de fevereiro.
