Trabalho e rotatividade

Pedidos de demissão foram mais de 600 mil no RS

A semana teve pesquisa sobre rotatividade no mercado de trabalho. Uma turma grande pediu demissão no Rio Grande do Sul, buscando novas experiências. O economista-chefe da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre, Oscar André Frank Junior, analisou dados a partir do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e mostrou que em números absolutos houve 638,1 mil desligamentos voluntários aqui no Estado em 2025. E os resultados também revelam que 40,5% dessas demissões ocorreram por iniciativa do próprio trabalhador, um dos níveis mais altos já registrados.

O fenômeno é visto por analistas como um sinal de aquecimento do mercado de trabalho. Com uma taxa de desemprego no país medida pelo IBGE rondando os 5%, considerada baixa, cresce a confiança ao trabalhador para buscar novas posições. Mas a propósito, para além de possibilidades melhores que se apresentam quando um profissional decide “mudar de casa”, quem são essas pessoas?

Quem é 50+ deve lembrar que a permanência por décadas em um mesmo emprego era valorizada. Um funcionário atuando por muitos anos numa mesma empresa pensava e repensava sobre vantagens quando uma nova proposta surgia. Salário maior, sim, mas também pesavam na balança benefícios como planos de saúde, de previdência, escalas de trabalho, distância de casa e tempo de deslocamento. “O desligamento a pedido do trabalhador pode ocorrer por diversos motivos: a transferência para vínculos que ofereçam condições mais vantajosas (como o salário), empreendimento do próprio negócio, tomada de capital humano (estudos)”, enumera Frank.

Além disso, enfatiza o economista, existe uma fatia significativa com baixa qualificação. “Temos um incentivo considerável para a mudança de funções, mesmo em áreas distintas, desde que não se exija uma formação diferenciada. No acumulado de janeiro até dezembro de cada ano, o percentual em relação ao total das demissões no Brasil em 2025 alcançou a máxima (36,1%), pouco acima do registrado em 2024 (35,9%). Já no Rio Grande do Sul o percentual atingiu 40,5% em 2025, levemente aquém do recorde verificado em 2024 (40,9%)”, assinalou Frank.

NA PRÁTICA

  • Há parte significativa dos trabalhadores que muda de emprego em funções que não exigem tanta formação, conforme observou o economista Oscar Frank. Entretanto, também tem aquela parcela que muda de emprego rápido por ser jovem e estar mais disposta a esse movimento. Na análise etária a turma com menos de 30 anos lidera esse cenário, de acordo com dados do Ministério do Trabalho, IBGE e Fundação Getulio Vargas.
  • Um outro dado pode ajudar a entender esse movimento de demissões. A Junta Comercial recentemente mostrou que foi apurado em 2025 o maior número de aberturas de empresas dos últimos 22 anos. Vocação para empreender? Talvez. Diante de um desemprego considerado sob controle, esta seria uma hipótese.