Trabalho, mudança e caminhos

Reflexão sobre empreender ou manter vículo é sempre atual

Faz alguns anos que escutamos que a tendência é o emprego com carteira assinada se tornar menos popular, uma discussão importante para se fazer no Dia do Trabalhador. O vínculo formal vai sendo substituído por outros meios de sobrevivência, já que a mesma tecnologia e velocidade da Internet que reduziu postos de trabalho formais ao longo das décadas permitiu também mais possibilidades de empreender e acumular clientes, especialmente nos serviços prestados à distância. Bom? Ruim? Inevitável à medida que o mundo moderno vai mudando cenários. E no universo presencial cresce igualmente aquele grupo de profissionais que se despedem de seus empregadores para abrir a própria empresa apostando em ganhos maiores. Há pessoas que mergulham nessa escolha e fazem bonito. Basta prestar atenção em alguns números. Partindo do pressuposto de que quem abre uma empresa começa com um porte pequeno na maioria das vezes, essa turma tem relevância. Proprietários de micro e pequenas empresas são responsáveis por 80% das vagas de emprego no país, embora cada um deles contrate um ou dois profissionais em média. Essas pessoas tomam coragem para tocar seus projetos e ainda geram postos de trabalho para quem decide seguir no propósito da carteira assinada. De ambos os lados, trabalhadores se dedicando a um objetivo diário.

E se nem sempre empreender é exatamente uma escolha e em muitos casos a iniciativa de constituir um negócio se dá depois de uma demissão, ainda assim essas pessoas estão formalizadas, na luta e com um registro de Pessoa Jurídica (PJ) na Junta Comercial. Mas neste 1° de maio, além do “formal” e do empreendedor, é preciso lembrar de um outro profissional que infelizmente ainda compõe um grupo grande no Brasil: o trabalhador informal, que vive uma rotina sem garantias sociais ou trabalhistas como FGTS, 13° salário, férias ou proteção da Previdência Social em caso de necessidade de se afastar por doença ou de tirar licença nos primeiros meses de nascimento de um filho no caso específico das mulheres. Muitos perguntariam: por que não pagam a contribuição e se regularizam? Difícil responder precisamente, mas possível entender. Em um ganho mensal modesto, até a passagem do ônibus pesa no orçamento.

NA PRÁTICA

  • No grupo dos informais aparecem atividades como diarista, motorista, entregador de compras e vendedor ambulante. A taxa de informalidade no emprego nos dias atuais é de 37,5% da população brasileira ativa, segundo o IBGE. Hoje os informais são 38,5 milhões de pessoas e estão invisíveis no mercado.
  • É para essa parcela da população que instituições, programas sociais e governos precisam olhar. Tarefa também para nós. Abrir o computador ou o celular e mostrar o Portal do Empreendedor no “gov.br” pode ser um meio de incentivar aquela vizinha que vende salgados ou aquele senhorzinho que faz reparos hidráulicos.
  • Que o 1° de Maio sirva para ampliar essa reflexão sobre se registrar, sobre estar formalizado e dentro de um sistema. É por esse caminho que passa a dignidade.