Fazer o que se gosta, ter convivência saudável entre colegas e chefias e manter uma postura de sempre criar novos projetos que possam ser positivos para a empresa e para nós mesmos em termos de desenvolvimento profissional e pessoal reúnem condições que já poderíamos considerar como excelentes para alimentar a boa saúde mental no trabalho. Mas como em todos os setores da vida, no âmbito profissional é importante que regras e normas ajudem na manutenção desse bem-estar. Vão entrar em vigor em breve as mudanças da Norma Regulamentadora número 1 (NR-1). A data inicialmente prevista para vigorar em 1 de janeiro deste ano foi postergada para 26 de maio. Ainda assim o prazo é considerado curto por especialistas. Empresas de pequeno, médio e grande porte passam a ser obrigadas a identificar, avaliar e gerenciar riscos psicossociais que possam adoecer o trabalhador. A partir da nova data poderá ocorrer aplicação de multas pelo Ministério do Trabalho e Emprego caso essas condições não sejam atendidas.
A exigência, de acordo com a psicóloga e especialista em desenvolvimento de lideranças Helena Brochado, chega em momento crítico. Em 2025, relembra ela, casos de ansiedade e depressão no ambiente profissional cresceram 15% no país, tornando os transtornos mentais o segundo maior motivo de afastamento do trabalho no Brasil, conforme apurou o Ministério da Previdência Social. “A NR-1 deixa claro que saúde mental é gestão de risco. Quem não se adequar agora corre riscos jurídicos, financeiros e humanos. Não se trata mais de escolha, mas de obrigação que exige método, liderança e ação estruturada”, afirma a profissional.
No Rio Grande do Sul o impacto é ainda maior. O Estado liderou os afastamentos por saúde mental na Região Sul em 2025, com 46,8 mil licenças concedidas. Proporcionalmente, aparece entre as unidades da Federação com as maiores taxas de afastamento por transtornos mentais por 100 mil habitantes, cenário que especialistas associam, entre outros fatores, aos efeitos prolongados das enchentes de 2023 e 2024. “O maior erro é tratar a NR-1 como exigência burocrática. Ela não se cumpre só com documentos. É preciso preparar líderes e ouvir as pessoas”, enfatiza a psicóloga, autora do livro “Diário da liderança com propósito”.
NA PRÁTICA
A vida como um todo e o trabalho se misturam cada vez mais. É impressionante a informação trazida por especialistas relacionada com o estresse das enchentes de 2023 e 2024 afetando trabalhadores no RS, um fator que no ano seguinte, em 2025, ainda atropelava planos de carreira. Afinal, quem trabalha em paz tendo passado um, dois anos precisando reconstruir ou recuperar a moradia?
Caiu no senso comum, e muita gente ouviu essa frase por décadas. “Quando chegamos ao trabalho, os problemas pessoais ficam do lado de fora da porta”. Tragédias como as vividas pelos gaúchos ainda aparecem nas análises de especialistas sobre o mundo do trabalho. Realmente o prazo para vigorar a norma já em maio é curto. Mas com tudo que se viveu, aprender a mapear dificuldades com apoio de uma legislação pode significar muito em produtividade.
