Assis Hoffmann foi um dos fotógrafos que registraram os principais momentos do levante em 1961
Algumas das principais imagens da Legalidade foram registradas por um jovem de 20 anos que, na época, começava a carreira como repórter fotográfico no jornal Última Hora. Entre elas está a clássica fotografia de um grupo de manifestantes na subida da rua Caldas Júnior, em direção à Praça da Matriz, segurando a faixa com os dizeres "Contra o golpe, todos à Assembleia".
Assis Hoffmann, hoje com 70 anos, passou aqueles dias "entrincheirado" no Piratini ou na Catedral Metropolitana. Nascido em Santiago, é considerado pelos seus colegas um dos maiores fotojornalistas do Rio Grande do Sul. Embora tenha participado da cobertura de duas Copas do Mundo e de conflitos no Oriente Médio, na década de 1970, considera até hoje que a Legalidade foi seu trabalho mais importante. "O momento mais marcante foi a reunião do Brizola com o comandante do III Exército", recorda Hoffmann, lembrando o célebre encontro do dia 28 de agosto de 1961, que ele fotografou.
Apesar do clima tenso e da presença de homens armados por todo o lado, o fotógrafo manteve-se firme registrando os principais episódios do movimento. "Quem está no jogo é para jogar", justifica. Sem as facilidades de hoje, os negativos tinham de ser enviados à redação por um office boy, já que ele praticamente não saía do Palácio. O fotógrafo ainda foi escalado para cobrir a volta de Jango ao Brasil, tendo sido enviado a Montevidéu. Voltou a Porto Alegre no mesmo avião do presidente.
Com problemas renais e dificuldade para caminhar, Hoffmann vive há dois meses em um residencial geriátrico na zona Sul de Porto Alegre. Aposentado, ele dá uma receita simples aos novos profissionais: "Tem que gostar de fotografia e ter um bom caráter. O resto vem ao natural. A sorte ajuda os bons".
Fotos: Mauro Schaefer
Texto: Danton Boattini Jr.

