Criança
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Criança

Por
Alina Souza

Criança no Sesc Pompeia em São Paulo.

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O menino pensa longe e pouco sabe sobre o seu pensar. Ainda não foi detido pelas verdades absolutas, pelos conceitos fechados, frequentes nas falas dos adultos. Vive solto no mundo puro do faz-de-conta, tão vasto e profundo, como um mergulho sem hora para voltar. Pinta, brinca, cria, recria: plenamente criança. Olhos apreensivos com as descobertas. Aprende os passos, suja as roupas, vasculha os espaços com a curiosidade e inocência de um ponto de partida. A infância convida para um passeio que vai muito além da imagem no espelho ou a marca requintada na embalagem de um brinquedo. Embora envolvida de leveza e descomprometimento, tal fase constitui o alicerce de toda uma edificação. Os primeiros anos de vida definem a essência de uma identidade e, por isso, devem ser embalados pelos sentimentos positivos. Cantiga de ninar e, sobretudo, despertar. Acolhimento e afeto. Deixar que o menino faça suas artes, estripulias e molecagem, conquanto sejam apontados os limites, o respeito, a educação.

Texto e fotos: Alina Souza