Imprevisível

Imprevisível

Por
Alina Souza

Av. João Pessoa, Porto Alegre.


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Sinto mais a solidão nestes dias que passam feito vento gelado, cortante, abrindo frinchas na pele, nos lábios, no coração. O imprevisível surgiu no meio do caminho e evidencia a dificuldade, diria até impossibilidade, de termos tudo sob controle. O tudo não nos pertence, precisamos reconhecer. É natural que existam falhas, surpresas, reticências. Calculamos cenários, desenvolvemos tecnologias, mas sequer imaginávamos uma realidade tão fria e austera como a que hoje invade e contamina nossa rotina. A necessidade de usarmos máscaras passava longe de nossos planos. Agora adivinhamos sorrisos através dos olhos. O calor humano requer ser forte o suficiente para superar a distância. Vencer um agente infeccioso invisível cujas consequências saltam às nossas vistas. E assim aprendemos que a vida é muito mais complexa, delicada e desafiante do que a mecânica de robôs, aparelhos, escalas industriais. Exige inteligência, mas também sensibilidade. Nem tanto a tentativa ilusória do controle: sobretudo o ato concreto do cuidado.